O que esperar da maternidade?

Antes de entrar em licença-maternidade eu pensava que ficaria aborrecida sem ter muito o que fazer e que me sentiria sozinha durante os 12 meses que deixei de trabalhar fora. Me enganei feio.

Quem tem filho sabe que é praticamente impossível ficar parado, ainda mais nos primeiros meses de vida do bebê. Quando a gente vê, o dia se foi.

Continuo achando que maternidade pode ser sinônimo de solidão, mas não precisa ser assim. Eu tive a sorte de ter a minha mãe por perto nos primeiros meses de licença e depois que ela voltou pro Brasil passei a sair ainda mais com a Sofia. Posso dizer que foi crucial para manter minha sanidade mental.

Indo pra rua eu conheci muita gente na mesma situação que a minha, troquei experiências, desabafei, aprendi muito e vi a Sofia interagir com os outros bebês e crianças.

Uma das coisas que fiz durante esse período foi curso de massagem para bebês, que são bem procurados aqui. Tem os particulares e os promovidos pelo governo. Os públicos são de graça e, claro, tem sempre lista de espera. Por causa disso, assim como outras mães, me inscrevi em dois centros e fui chamada duas vezes. Acabei fazendo dois cursos.

Durante as aulas, cada mãe usa seu tubinho de óleo e vai seguindo as orientações da professora. São movimentos simples, fáceis de acompanhar. Os bebês podem ficar de fralda ou mesmo peladinhos. O ambiente é tranquilo e não tem problema se tiver choro ou se precisar de uma pausa. De maneira geral, os bebês ficam bem relaxados depois da massagem.

Fiz o primeiro curso quando a Sofia tinha quatro meses e o segundo quando ela tinha uns sete. Na primeira vez ela ficou bem quietinha e deixou que eu fizesse todos os movimentos. Já na segunda ela já estava bem ativa e não queria parar por muito tempo, queria interagir com os outros.

Não cheguei a aproveitar muito do que aprendi em casa. Uso só alguns dos movimentos que me ensinaram quando passo creme na Sofia depois do banho. Mesmo assim, acho que valeu a pena ter participado dos cursos. Nós duas curtimos a experiência toda e ficamos ainda mais próximas.

Massagem para bebê

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Vida social e filhos

Esse  foi um fim de semana diferente pra mim. Fui numa festa, passei horas sozinha em casa e saí pra jantar só com meu marido. Como? Minha sogra está nos visitando.

Janta no restaurante japonês

Como é bom poder ter uma conversa adulta sem interrupções ou então comer num restaurante sem pressa! Sem falar da certeza de que a Sofia está em boas mãos. Ela adora ficar com a avó. As duas se divertem muito, é lindo de ver.

Já perdi as contas de quantas vezes eu faltei a festas ou deixei de ir a pubs com meus colegas depois do trabalho porque não tenho com quem deixar minha filha. Nós levamos a Sofia sempre que dá, mas às vezes não funciona, não é ambiente pra criança. Acaba sendo um estresse pra todo mundo.

Essa é a realidade de quem mora longe da família. Sair sem filho exige que se planeje tudo com uma boa antecedência. A gente tem sempre que contar com uma babá (e pagar por isso) ou com a vontade de um amigo. Não é fácil.

O lado bom é que hoje em dia eu consigo me livrar facilmente daqueles eventos de trabalho chatos, fora do horário de expediente. Tenho sempre uma boa desculpa.

Também não tenho certeza de que me adaptaria ao outro extremo. Acho que não gostaria de ser parte daquelas famílias que moram super próximas e estão sempre se visitando. Não seria bom ter muita interferência na educação da minha filha.

Independente de onde se more, criar filho é uma grande responsabilidade, compromete a liberdade dos pais pelo menos por alguns anos. Sim, faz falta sair sem ter hora pra voltar e ainda poder dormir até tarde no dia seguinte. Mas não acho que isso sirva de desculpa pra anular uma vida social. Tem várias coisas pra se fazer com bebê ou criança em Londres, e isso vale pra qualquer parte do mundo. Só que precisamos adaptar nossas rotinas.

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Tecnologia para distrair crianças

Pais estão usando smartphones para acalmar os filhos, saiu essa semana no Washington Post.

Smartphone em mãos pequenas

Cerca de 40% das crianças entre dois e quatro anos e 10% daquelas abaixo dessa idade já usaram smartphone, tablet ou video iPod, segundo pesquisa feita nos Estados Unidos pelo grupo sem fins lucrativos Common Sense. Entre os pais e mães, um em cada cinco já usou algum desses aparelhos para manter os pequenos ocupados.

Sinceramente, eu esperava números mais altos. Conheço muita mãe com filho pequeno que já fez isso, seja durante uma viagem ou mesmo para responder um email importante. E me incluo nesse grupo.

A grande novidade pra mim é o tamanho desse mercado, maior do que eu imaginava. Já existem milhares de aplicativos que tem como público alvo bebês e crianças de até três anos – por exemplo, jogos interativos com nomes de partes do corpo e músicas infantis. Tem até um que simula o som do útero da mãe para ajudar o bebê a dormir.

O comércio da Inglaterra prevê que o tipo de brinquedo mais vendido neste Natal serão os tablets para crianças. O preço é salgado pro meu gosto – £79.99 (R$ 220).

Sim, é impossível evitar que as crianças tenham contato com novas tecnologias, e elas podem se beneficiar com isso. Só acho perigoso quando tal coisa é usada para substituir relações humanas e acabam isolando as pessoas. Pena que é cada vez mais comum ver nos restaurantes aqui crianças fechadas no mundinho delas enquanto adultos conversam entre eles.

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