Cuidar de filho pequeno cansa?

Eu sempre respondo que sim quando me fazem essa pergunta. Se passo o dia todo cuidando da Sofia, por mais que tudo dê certo e que a gente se divirta bastante, é provável que no final da tarde eu esteja contando as horas pra colocar ela na cama ou então torcendo pra que o Rodrigo, meu marido, chegue em casa.

Acho que o estado de constante atenção, o fato de a gente precisar estar sempre à disposição, cansa.

Todo mundo diz que a Sofia é uma criança fácil, e eu concordo. Mas ela é bem ativa, tá numa fase que exige bastante, o que faz com que quem tome conta dela não consiga relaxar por muito tempo. Conheço muitas mães e pais que também se sentem assim, mas não é todo mundo que admite.

Uma amiga uma vez me contou que era só o marido dela chegar do trabalho que ela passava o bebê pro colo dele. Ele não entendia a urgência dela em querer tomar um ar, não via cabimento em uma pessoa se dizer exausta quando praticamente não saiu de casa. E ela se sentia culpada por isso. E vocês, já se sentiram assim?

Quero aproveitar para agradecer a todos por continuarem visitando o blog. São mais de 10.000 acessos em quatro meses. :-)

Leia também: Ser mãe é padecer na malhação

Gravidez depois dos 30 ou 40

Uma Thurman, 41 anos, anunciou que está grávida

Grávidas acima de 30 e 40 anos impulsionaram o número de gestações para níveis recorde no Reino Unido. Pela primeira vez, mais de 900.000 mulheres ficaram grávidas num período de um ano, número não alcançado nem no boom pós-Segunda Guerra.

O índice de grávidas de 40 e poucos anos em 2010 é mais do que o dobro registrado há duas décadas, saiu na imprensa britânica essa semana. As taxas de concepção aumentaram 4,5% entre aquelas de 34 a 39 anos e 4,9% entre as de 30 a 34 anos.

De acordo com o Escritório Nacional de Estatísticas do Reino Unido, as mulheres que trabalham passaram a ter filhos mais tarde, por isso o grande aumento no número de mães mais velhas. Outros motivos seriam a entrada no Reino Unido de grande quantidade de imigrantes em idade fértil ainda sem filhos.

Muitas mulheres também podem ter sido influenciadas pela recessão. Recém-desempregadas e aquelas com menos trabalho têm mais tempo para a família, disse o relatório. Esse último fator parece ir contra a tendência vista no Brasil, não é mesmo?

Tem uma porção de celebridades tendo filhos depois dos 40. A americana Uma Thurman, 41 anos, anunciou recentemente que está grávida do namorado Arpad Busson. A atriz de Kill Bill tem dois filhos com o ex-marido Ethan Hawke – a filha Maya, 13 anos, e o filho Levon, 10 anos.

Confira outras famosas que também tiveram filhos com 41 anos:

Halle Berry e a filha Nahla

Salma Hayek e Valentina

Madonna e Rocco

Mariah Carey e os gêmeos Moroccan e Monroe

Leia também: Mais trabalho e menos filhos

Mais trabalho e menos filhos

Taxa de natalidade caiu de 6,15 filhos por mulher em 1960 para 1,9 hoje

É interessante ver de fora o país onde eu nasci e cresci. Cada vez que volto ao Brasil, gosto de observar as mudanças, o estilo de vida das pessoas.

Já faz tempo que ser mãe deixou se ser a única prioridade entre a maioria das brasileiras. Conheço muitos casos de pessoas que preferem não ter filhos ou então planejam ter apenas um. Viva a diversidade!

Nessas últimas férias, vendo de perto um pouco da realidade brasileira, me lembrei muito de uma matéria do Washington Post sobre a queda da taxa de natalidade no Brasil. Aqui vai um resumo dos principais pontos, com tradução livre:

  • As taxas de natalidade caíram em muitas partes do mundo nas últimas décadas, mas algo particularmente notável aconteceu na América Latina, apesar de o aborto ser ilegal na região e da Igreja Católica se opor ao controle de natalidade.
  • A migração desenfreada para as cidades, o aumento da taxa de emprego entre as mulheres, melhores sistemas de saúde e os exemplos de famílias bem sucedidas e com poucos filhos retratadas em novelas têm contribuído para essa mudança demográfica que aconteceu muito rápido.
  • A taxa de natalidade no Brasil caiu de 6,15 filhos por mulher em 1960 para menos de 1,9 hoje. Na América Latina, o país só fica atrás de Cuba, que tem planejamento familiar bancado pelo governo e onde o aborto é legalizado. Os números referentes ao Brasil também são inferiores aos dos Estados Unidos, onde as mulheres têm em média 2 filhos.
  • A matéria cita vários casos de famílias que planejam não ter filhos ou então apenas um. Uma delas diz que tem como prioridade estudar e trabalhar. Outra conta que a presidente Dilma Rousseff, que tem apenas uma filha, serve de exemplo.
  • Um relatório do Center for Work-Life Policy, em Nova York, diz que 59% das brasileiras se consideram muito ambiciosas, percentagem maior do que nos Estados Unidos.

Leia também: Gravidez depois dos 30 ou 40 anos

O que esperar da maternidade?

Antes de entrar em licença-maternidade eu pensava que ficaria aborrecida sem ter muito o que fazer e que me sentiria sozinha durante os 12 meses que deixei de trabalhar fora. Me enganei feio.

Quem tem filho sabe que é praticamente impossível ficar parado, ainda mais nos primeiros meses de vida do bebê. Quando a gente vê, o dia se foi.

Continuo achando que maternidade pode ser sinônimo de solidão, mas não precisa ser assim. Eu tive a sorte de ter a minha mãe por perto nos primeiros meses de licença e depois que ela voltou pro Brasil passei a sair ainda mais com a Sofia. Posso dizer que foi crucial para manter minha sanidade mental.

Indo pra rua eu conheci muita gente na mesma situação que a minha, troquei experiências, desabafei, aprendi muito e vi a Sofia interagir com os outros bebês e crianças.

Uma das coisas que fiz durante esse período foi curso de massagem para bebês, que são bem procurados aqui. Tem os particulares e os promovidos pelo governo. Os públicos são de graça e, claro, tem sempre lista de espera. Por causa disso, assim como outras mães, me inscrevi em dois centros e fui chamada duas vezes. Acabei fazendo dois cursos.

Durante as aulas, cada mãe usa seu tubinho de óleo e vai seguindo as orientações da professora. São movimentos simples, fáceis de acompanhar. Os bebês podem ficar de fralda ou mesmo peladinhos. O ambiente é tranquilo e não tem problema se tiver choro ou se precisar de uma pausa. De maneira geral, os bebês ficam bem relaxados depois da massagem.

Fiz o primeiro curso quando a Sofia tinha quatro meses e o segundo quando ela tinha uns sete. Na primeira vez ela ficou bem quietinha e deixou que eu fizesse todos os movimentos. Já na segunda ela já estava bem ativa e não queria parar por muito tempo, queria interagir com os outros.

Não cheguei a aproveitar muito do que aprendi em casa. Uso só alguns dos movimentos que me ensinaram quando passo creme na Sofia depois do banho. Mesmo assim, acho que valeu a pena ter participado dos cursos. Nós duas curtimos a experiência toda e ficamos ainda mais próximas.

Massagem para bebê

Leia também: Sou mãe, e agora? e Semelhanças e diferenças entre a primeira e a segunda gravidez

 

Retrospectiva

Pra entrar no clima de vale a pena ver de novo, aqui vão os posts mais lidos no Mãe a mil:

Mães que trabalham fora x mães em tempo integral

Muitas vezes eu sinto uma rivalidade entre as mães que trabalham fora e as que se dedicam aos filhos em tempo integral.

Aquelas que tem um emprego parecem sempre super ocupadas, cheias de grandes responsabilidades, sem falar que andam arrumadas. Ah, e elas deixam claro que acumulam funções: atuam como profissionais E como mães.

Há quem diga que aquelas que ficam em casa é que são as mães de verdade. Elas colocam os filhos em primeiro lugar, participam de tudo e o mais importante: vivem sem culpa. “Quem é que iria faltar a uma reunião na escola no meio da tarde?”, muitas vezes se perguntam.

Acho que já deu pra notar que eu tô exagerando, né? Mas tem um fundo de verdade, não tem? Como se não bastasse a pressão de ser mãe, esposa, profissional, filha, as mulheres acabam se sabotando. É uma pena.

Eu, em teoria, tenho o melhor dos dois lados. Trabalho fora três dias por semana (às vezes também faço freelance) e cuido da Sofia quatro dias. Na prática, já recebi críticas e comentários irônicos dos dois tipos de mães que mal descrevo acima. Portanto, não sou totalmente aceita em nenhum dos times.

Se eu for me importar, não vivo em paz. No momento essa é a situação ideal pra mim. E sei que mesmo se eu mudasse alguém iria questionar a minha decisão.

Não acho que tenha certo ou errado nessa questão, não concordo com essa disputa. Conheço mães que trabalham fora e que passam tempo de qualidade com os filhos. Também já vi muita mulher que é mãe em tempo integral que acompanha mesmo os filhos e e que curte o que faz de verdade.

Crianças bilíngues

É claro que criar filhos no exterior tem uma série de desvantagens, mas hoje vou escrever sobre uma das principais vantagens: a exposição a línguas.

Adoro ver os pequenos falando mais de um idioma. É impressionante a facilidade que eles têm de adquirir o sotaque local, de trocar de uma língua pra outra com a maior naturalidade.

Tem uma série de estudos sobre os benefícios que isso traz ao cérebro, alguns dizem que até previne o mal de Alzheimer. Mas não quero entrar nesse mérito hoje.

Aqui em Londres, como vocês sabem, há muitos imigrantes e várias crianças têm pais, muitas vezes babás, de países diferentes. Lembro de ver um menino de uns três anos na pracinha falando japonês com a mãe, espanhol com o pai e inglês com os amigos, numa boa.Nosso vizinho de quatro anos fala inglês e russo e, como outros bilíngues e poliglotas, é super aberto a outras línguas. Ele usa algumas palavras que os amiguinhos romenos ensinaram a ele e às vezes repete o que eu falo em português.

Por outro lado, já vi pais frustrados com o fato de o filho se recusar a falar a língua do país de origem da família. Também já conheci gente que adotou o inglês como idioma único.

A Inglaterra aceita o multiculturalismo e a orientação que o governo dá aos pais é que preservem sua língua materna. Nós falamos português em casa e usamos inglês na presença de pessoas que não entendem a língua.

Não queremos criar um geniozinho, mas procuramos expor a Sofia ao máximo à essa diversidade. Uma amiga nossa conversa em espanhol com ela e já vi pessoas de outras culturas se dirigindo à Sofia na língua deles. O engraçado é que ela presta atenção.

Se tá funcionando? Acho que é cedo pra tirar conclusões já que a Sofia tem pouco mais de dois anos. O que posso dizer é que ela fala as duas línguas e parece já ter entendido bem quando usar cada uma delas.

Acho que proporcionar à criança o contato com outras línguas não é privilégio de quem mora no exterior. Sempre dá pra criar oportunidades. Assistir a um desenho animado ou clipe de música infantil de outro país na internet, por exemplo, pode ser bem divertido.

Correria de fim de ano

Cartaz da coletiva de imprensa

Eu pensei que escaparia da tradicional correria de final de ano mas infelizmente não foi possível. É por isso que tenho escrito menos do que gostaria aqui no blog.

Tenho até vergonha de contar, mas ainda não tiramos nossa decoração de Natal do sótão. E ainda não definimos onde vamos passar o final de ano.

Tenho tido dias intensos no trabalho e fiz um freelance nesse fim de semana. Fui cobrir a entrevista coletiva do filme The girl with the dragon tatoo (Millennium – Os homens que não amavam as mulheres), com Daniel Craig. Vou entrar em férias na sexta-feira e a partir de então espero colocar tudo em dia.

As condições de trabalho na Inglaterra

Tentando conciliar maternidade e carreira

Recebi um comentário pelo Twitter sobre meu post de ontem que me fez pensar. Dizia: “já me cobrei muito pelo fato de trabalhar o dia todo. Procuro compensar sendo uma mãe presente e participativa.”

Simples, né? Confesso que continuo achando um pouco desafiador encontrar um equilíbrio perfeito entre a maternidade e a vida profissional, mas acredito que seja possível chegar lá e sem culpa.

Acho que apoio familiar, econômico e governamental influenciam essa questão, então hoje vou contar um pouco sobre como são as condições de trabalho na Inglaterra.

Aqui as mulheres podem tirar licença-maternidade de até um ano. As condições variam de acordo com o empregador e com o tempo de trabalho.

Por lei, se a mulher tiver começado na empresa antes de ter engravidado, ela recebe 90% do salário integral nas primeiras seis semanas de licença e uma ajuda do governo de £128,73 por semana nas próximas 33. O resto do período é sem remuneração. Muitas empresas, inclusive onde eu trabalho, concedem mais benefícios do que aqueles garantidos por lei. Eu fiquei um ano em licença.

Os pais e mães com filhos de até 17 anos têm direito a trabalhar em horários flexíveis. Embora o governo promova isso, não é compulsório. Se o empregador decidir que há motivo para que o funcionário não possa trabalhar menos horas ou então em horários alternativos, não rola.

Assim como no Brasil, não há grande oferta de empregos de meio período. E trabalhar em casa é uma conquista que poucos conseguem. Mesmo com pesquisas demonstrando que se rende mais sem as interrupções do escritório, muitas empresas ainda consideram matação.

Por causa desses dilemas e pelos altos preços das creches, muitas mulheres na Inglaterra decidem ficar em casa e receber auxílio do governo. Tem vários tipos de benefício, alguns são concedidos independentemente de renda, outros apenas para quem ganha pouco. Eles podem variar de acordo com a situação da família e do número de filhos.

Na minha opinião, pouco se fala sobre como as mulheres que se dedicam à maternidade em tempo integral retornam ao mercado de trabalho. Consegui achar uma matéria que li um tempo atrás que conta o caso de uma mulher de 50 anos, mãe de três filhas, que voltou a trabalhar depois de 10 anos. Ela levou cinco anos até achar um emprego parecido com aquele que ela havia deixado uma década atrás.

Quem volta ao mercado de trabalho depois de anos leva um tempo pra recuperar a auto-estima e pra se adaptar às mudanças, como o surgimento de novas tecnologias. Como diz o texto, é esperado que essas mães recomecem trabalhando menos horas, com salários mais baixos. No entanto, elas não estão mais satisfeitas com isso. Elas querem poder usar suas habilidades.

Mães sofrem de insônia por causa do trabalho

Metade das mães perdem o sono porque estão preocupadas com suas carreiras. Um estudo envolvendo 1.500 mulheres concluiu que elas têm insônia por medo de não conseguir achar um equilíbrio entre a vida familiar e suas carreiras.

Uma em 10 disse que começou a se preocupar com o retorno ao trabalho ainda durante a gravidez. Os dados foram divulgados recentemente pela agência britânica Press Association.

Antes de me tornar mãe eu não acreditava que essas questões realmente afligissem mulheres na Europa ou nos Estados Unidos. Infelizmente, isso acontece em praticamente todo o mundo. Suporte econômico e governamental – quando disponíveis – ajudam, mas não garantem que a mulher consiga manter o mesmo pique na carreira e ser uma super mãe ao mesmo tempo.

Antes da crise econômica na Europa, cerca de 30.000 mulheres por ano perdiam seus empregos por causa de discriminação quanto à gravidez no Reino Unido, e a situação hoje em dia é ainda pior, segundo matéria no Guardian. Não quero me extender muito, não vou entrar na questão de diferença salarial entre homens e mulheres. De modo geral, digo que estamos em desvantagem por aqui também.

Eu não perco o sono por causa da minha carreira, mas já pensei muito sobre o equilíbrio entre minha vida pessoal e profissional. Nesse momento essa questão pra mim é como cobertor curto, um lado fica de fora. E pra vocês, como é?

No post de amanhã eu falo sobre licença maternidade, pais com direito a trabalhar em horários flexíveis e mães em tempo integral que retornam ao mercado de trabalho.

Mães que trabalham fora x mães em tempo integral

Muitas vezes eu sinto uma rivalidade entre as mães que trabalham fora e as que se dedicam aos filhos em tempo integral.

Aquelas que tem um emprego parecem sempre super ocupadas, cheias de grandes responsabilidades, sem falar que andam arrumadas. Ah, e elas deixam claro que acumulam funções: atuam como profissionais E como mães.

Há quem diga que aquelas que ficam em casa é que são as mães de verdade. Elas colocam os filhos em primeiro lugar, participam de tudo e o mais importante: vivem sem culpa. “Quem é que iria faltar a uma reunião na escola no meio da tarde?”, muitas vezes se perguntam.

Acho que já deu pra notar que eu tô exagerando, né? Mas tem um fundo de verdade, não tem? Como se não bastasse a pressão de ser mãe, esposa, profissional, filha, as mulheres acabam se sabotando. É uma pena.

Eu, em teoria, tenho o melhor dos dois lados. Trabalho fora três dias por semana (às vezes também faço freelance) e cuido da Sofia quatro dias. Na prática, já recebi críticas e comentários irônicos dos dois tipos de mães que mal descrevo acima. Portanto, não sou totalmente aceita em nenhum dos times.

Se eu for me importar, não vivo em paz. No momento essa é a situação ideal pra mim. E sei que mesmo se eu mudasse alguém iria questionar a minha decisão.

Não acho que tenha certo ou errado nessa questão, não concordo com essa disputa. Conheço mães que trabalham fora e que passam tempo de qualidade com os filhos. Também já vi muita mulher que é mãe em tempo integral que acompanha mesmo os filhos e e que curte o que faz de verdade.