O que pode e o que não pode fazer durante a gravidez

Existem vários mitos e contradições sobre o que dá e o que não dá pra fazer na gravidez. Parece que tem sempre um novo estudo questionando o que é ou não permitido. Passou ontem na rede de TV americana CBS uma entrevista com Jessica Hartshorn, editora da revista American Baby, sobre isso.

Ainda existem muitas dúvidas quanto à prática de exercícios durante a gestação. Hartshorn lembra que até recentemente as mulheres precisavam ficar de olho nos batimentos cardíacos. Eles não poderiam passar de 140 por minuto.

Agora, no entanto, se diz que não tem problema se a grávida ficar com calor durante os exercícios. Isso não prejudica o bebê. O importante é observar a respiração, diz a editora. Se for possível conversar sem dificuldades durante a prática, tudo bem.

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Se o médico liberar, o ideal é fazer 30 minutos de atividades de baixo impacto pelo menos cinco dias por semana. Isso ajuda a manter o peso, previne constipação, insônia, dor nas costas e outros desconfortos.

Hartshorn confirma o que quase todo mundo já sabe, que a ideia de que grávida precisa comer por dois é coisa do passado. É preciso ingerir apenas cerca de 100 calorias a mais por dia no primeiro trimestre da gestação e umas 300 calorias nos últimos três meses. Quanto mais pesada a mãe, maiores as chances de diabetes gestacional e hipertensão.

Com relação ao parto, a entrevistadora só considerou a possibilidade de cesariana. Impressionante. Enfim, para aquelas que precisam ou que querem passar pelo procedimento, era comum marcar a data para a 37ª semana de gravidez. No entanto, hoje se sabe que bebês que nascem com 40 ou 39 semanas apresentam melhor desenvolvimento do cérebro e menos problemas respiratórios. Portanto, se o parto for planejado, vale a pena esperar, confirma a editora.

Já se proibiu café para grávidas, mas cafeína em moderação parece não ter relação nenhuma com aborto ou parto prematuro. O ideal é ingerir até 200 miligramas por dia, mais ou menos uma xícara, diz Hartshorn.

Existem vários aplicativos para telefone com informações sobre gravidez e dicas do que é permitido ou não durante a gravidez. Sugiro o BabyCenter em português e o Pregnancy buzz em inglês. Os dois são grátis.

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Sou mãe, e agora?

Quando descobri que estava grávida, saí lendo o máximo que pude sobre o assunto. Eu tinha muitas dúvidas, queria entender o que estava acontecendo com meu corpo e buscava antecipar o que viria pela frente.

Nos últimos meses de gravidez fiz dois cursos para gestantes, um particular e um no hospital onde tive a Sofia. Aprendi muito durante todo esse processo e, assim como a grande maioria das mães, me concentrei muito no parto e não dei muita atenção para o que viria depois.

Acho que nada nos prepara para a grande transformação que é o nascimento de um filho. A chegada da Sofia foi, sem dúvida, o evento que teve maior impacto na minha vida. Pra mim, caiu a ficha quando chegamos em casa com ela pela primeira vez. “É tudo com a gente, e agora?”, eu pensei.

No dia seguinte acordei faminta e quando consegui sentar pra tomar café da manhã a Sofia começou a chorar de fome. Claro, tive que ir amamentar. Eu poderia ter comido enquanto ela mamava, mas eu ainda não tinha prática. Naquele momento eu me dei conta de que, pela primeira vez na minha vida, havia alguém que dependia de mim, alguém que teria prioridade.

Com o passar do tempo comecei a entender o que minha mãe sempre me disse, que quando chegasse a hora eu saberia o que fazer. Aprendi nos cursos para gestantes que não existe experiência mais instintiva na vida de uma mulher do que o parto. Acho que isso também vale para a experiência de ser mãe.

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O que levar na bolsa do hospital

Atendendo a pedidos, aqui vai o post sobre o que levar pro hospital quando a tão esperada hora chega.

Pra começar, não acho que é preciso levar uma mala. Uma bolsa ou mochila já é o suficiente. É um momento tão intenso, a gente já tem mil coisas na cabeça, emoções ficam à flor da pele, que levar um monte de tralhas só atrapalha.

Eu demorei pra me dar conta de que se algo ficasse pra trás não seria grande problema. Geralmente tem um familiar ou amigo disposto a dar um pulinho em casa ou então ir correndo a uma loja próxima à maternidade pra comprar o que falta, certo?

Assim como no caso da lista de enxoval, eu também achei muito exagero nas sugestões que li. Elas servem pra dar ideias, mas bom senso vale também pra essas horas. Aqui vai a minha sugestão:

Para o bebê

  • Tip-tops de mais de um tamanho. É difícil saber o que vai servir
  • Mamadeira, caso a amamentação não saia como o planejado
  • Agasalho para o bebê dependendo da época do ano
  • Cobertorzinho
  • Paninhos de boca
  • Bico (chupeta)
  • Fraldas
  • Lencinhos umedecidos sem perfume
  • Pomada para assaduras
  • Cadeirinha de carro

Para a mãe

  • Camisola com abertura na frente
  • Chambre/penhoar
  • Chinelo
  • Sutiã de amamentação
  • Além de água, é legal levar bebida isotônica. Lanchinhos, como barrinhas de cereal, são bem-vindos
  • Meias
  • Elástico em caso de cabelo comprido
  • Pomada para mamilos e bico de silicone. No início a amamentação pode ser dolorida, mas logo se dispensa isso
  • Absorventes para os seios ou conchas
  • Produtos de higiene pessoal. Protetor labial e creme para mãos são importantes
  • Absorvente noturno
  • Camisola ou camiseta velha no caso de parto normal
  • Calcinhas velhas ou baratinhas, para não dar pena de descartar. É bom que sejam altas e confortáveis se for cesariana
  • Câmera fotográfica, filmadora – não se esqueça de checar as pilhas e o cartão de memória
  • Roupa de grávida pra sair do hospital. A gente sai com uma barriga de uns seis meses!

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Cesárea liberada na saúde pública britânica

As grávidas no Reino Unido vão poder optar por cesariana pelo sistema de saúde público a partir deste mês. Atualmente a cirurgia só é feita em casos de emergência ou então quando a mãe ou o bebê apresentam algum problema de saúde.

A decisão tem grande impacto já que mais de 90% da população usa o sistema de saúde público. E o assunto é polêmico. Tem gente alertando que o número de cesarianas pode aumentar ainda mais por causa da mudança.

A taxa de cesáreas no Reino Unido é de cerca de 25%. O ideal, diz a Organização Mundial da Saúde, é 15%. O Brasil, como vocês sabem, tem o maior índice do mundo. Os dados UNICEF indicam 44% e se acredita que o percentual seja bem mais alto.

Apesar desses números, eu continuo achando importante que se permita que as pessoas façam suas escolhas. Só que elas precisam estar preparadas. Em termos simples, tem que ter mais informação e menos pressão.

Tem muita gente que subestima os riscos de uma cesariana e ignora os benefícios que o parto natural proporciona à mãe e ao bebê. Por outro lado, é triste ver mulheres se culpando por não ter tido um parto normal.

Vi recentemente o link pra um vídeo sobre o parto humanizado no blog Lascomadres. É o trailer do filme O Renascimento do Parto. Tem depoimentos ótimos, emocionantes. Acho que vale a pena considerar o que eles dizem.