Esperando o bebê: trilha sonora

“Everyday it’s getting closer.”

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Pianos nas ruas de Londres

Um dos 50 pianos disponíveis ao público nas ruas de Londres

Londres é surpreendente. Sei que parece clichê, mas foi o que eu pensei ontem ao chegar no centro para ir trabalhar. Dei de cara com um dos pianos que estão à disposição do público nos principais pontos da cidade.

No intervalo do almoço fui numa praça e achei outro piano. Comi com música ao vivo de graça. Enquanto eu estava lá, várias pessoas se revezaram no instrumento da foto, tocando um repertório bem variado.

Os 50 pianos ficarão nas ruas de Londres até o dia 13 de julho e fazem parte do City of London Festival.

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O primeiro contato com a música

É importante é manter o lado lúdico

Cada vez mais ouço falar dos benefícios da música e da importância de se colocar bebês e crianças em contato com a arte desde cedo. Mas acho que pouco se comenta sobre questões mais práticas, como quando e de que maneira os pais podem proporcionar isso aos filhos. Fiz essas e outras perguntas ao professor de música e compositor Rodrigo Lemos. Pra quem não sabe, ele é meu marido.

Qual é a idade ideal para colocarmos as crianças em contato com a música?

Nunca é cedo demais. Eu recomendo começar a exposição ainda durante a gestação. Pode parecer um exagero, mas o que quero dizer é que não se deve esperar. Por outro lado, também é verdade que nunca é tarde demais para começar. O contato com a música traz grandes benefícios, independente da etapa da vida que se esteja.

E de que maneira os pais podem proporcionar isso?

Escutando música, cantando sem ter vergonha. Os pais não precisam se preocupar em ouvir exclusivamente músicas infantis. É claro que essas têm um apelo forte e as crianças passam a gostar rapidamente, mas a exposição a todos os tipos de música é benéfica, independente do estilo.

Que dicas você daria aos pais que querem incentivar os filhos a tocarem instrumentos musicais?

Que tenham algum instrumento em casa e que deem exemplo. O exemplo é um bom professor. Aprender a tocar junto com a criança pode ser muito divertido e ajuda a fortalecer a relação entre pais e filhos. É claro que nem todo mundo pode ter um piano em casa, mas hoje em dia existem violões e teclados a preços acessíveis, por exemplo. Para quem não quiser gastar muito, o ideal é deixar para comprar algo de melhor qualidade quando a prática já estiver estabelecida. Infelizmente, a maioria dos instrumentos de brinquedo não produz som de qualidade para que se possa fazer música de verdade.

Qual é o melhor instrumento para se começar?

Qualquer um. Não existem instrumentos para iniciantes. Muitas vezes os pais dos meus alunos vêm me perguntar se a criança, que toca violão, está pronta para começar com a guitarra elétrica. Não precisa ser assim. Se o objetivo é tocar um determinado instrumento, pratique desde o início. É claro que existem restrições físicas – uma criança de três anos não vai conseguir tocar uma tuba, por exemplo – mas essa é a única restrição.

Quais outros conselhos você daria para os pais?

É preciso tomar cuidado pra não colocar pressão nas crianças, para não transferir nossos sonhos para nossos filhos. É muito legal proporcionar o aprendizado desde cedo, mas precisamos cuidar para não esperarmos apenas bons resultados. Trabalho com muitas crianças que sentem a pressão do investimento que os pais estão fazendo, e parte do meu trabalho é manter o lado lúdico sempre vivo. Tocar deve ser uma brincadeira, uma atividade prazeirosa.

Leia também: As funções da música

Dia das Mães inglês

Feliz Dia das Mães! Desejo a vocês muitas noites tranquilas.

Beijos,

Cecília

Veja também: Dia das Mães na Inglaterra

As funções da música

Dois dos CDs prediletos

A Sofia tá com um repertório e tanto. Volta e meia ela lembra de alguma música e logo pede: “canta, mamãe!” Posso dizer que não tenho mais vergonha nenhuma de cantar em público. Será que tô perdendo o senso do ridículo?

Bom, mas quero dizer que a música sempre foi importante na minha vida, e depois da chegada da Sofia ela passou a ter um papel ainda mais forte.

Quantas vezes eu cantei pra minha filha durante a fase das cólicas. Se não fazia ela parar de chorar, pelo menos servia para me acalmar e a pensar melhor no que fazer para tentar ajudá-la. E é impressionante como nessas horas a gente começa a resgatar músicas que estavam guardadas na memória há muito tempo, né?

Durante a minha licença maternidade eu fui a muitos grupos onde mães cantam para seus bebês. Isso é super comum em Londres. É ótimo pra conhecer gente e os pequenos se divertem. Naqueles encontros, enquanto a maioria das mães relembravam as canções da infância delas, eu aprendia um novo repertório.

Lembro que muita gente me dizia como esse tipo de atividade era importante para os bebês. Vi o resultado meses depois, quando a Sofia começou a cantar, do jeitinho dela, aquelas mesmas musiquinhas. Mesmo sem articular as palavras, essa virou mais uma maneira de nos comunicarmos.

É impressionante como ela evoluiu. Hoje em dia nós não apenas cantamos como também dançamos juntas. Twinkle Twinkle Little Star foi uma das primeiras que aprendemos. Ela continua tocando aqui em casa.

Leia também: O primeiro contato com a música

Comercial dá o que falar

É impressionante como os comerciais de Natal sempre rendem assunto aqui no Reino Unido. Um dos mais esperados, da rede de lojas de departamento John Lewis, estreou ontem à noite e divide opiniões.

O vídeo apresenta um cover da música “Please, Please, Please let me get what I want” da banda inglesa The Smiths. Enquanto no Twitter muita gente admitiu ter se emocionado assistindo, uma legião de fãs reclamou porque o Morrissey, vocalista da banda que se dizia anti-capitalista nos anos 80, vendeu os direitos de seu trabalho.

O comercial quer passar a ideia de que dar presentes é tão bom quanto receber. Ele mostra um menino fazendo uma surpresa para os pais no dia de Natal. E o fato de se sugerir que crianças também precisem comprar presentes também desagradou algumas pessoas. Vejam por vocês mesmos:

Veja também: Comercial de Dia das Mães na Inglaterra