Brinquedos: O que vale a pena comprar?

Quais são os melhores brinquedos para os primeiros anos de vida da criança? Que pai ou mãe nunca ouviu ou então nunca se fez essa pergunta? Faz um tempo que venho pensando nisso e resolvi reunir aqui os cinco eleitos na nossa casa.

Os brinquedos abaixo são os mais usados, aqueles que estão sempre em volta. Fazendo a lista me dei conta de que todos eles têm duas características em comum: são versáteis e baratos.

Todos foram escolhidos e testados de maneira independente, sem fins comerciais. Coloquei eles em ordem de preços que achei na internet:

Carrinho de boneca

A Sofia começou a brincar com carrinho de boneca quando mal sabia caminhar. O dela é usado pra transportar brinquedos e tudo mais que couber nele, inclusive ela própria. Ele é dobrável, fácil de guardar e de levar pra rua. Preço: 5 libras (R$ 15,90).

Livro com texturas Baby Touch Quack Quack

Quack! Quack! foi um dos primeiros livros que a minha filha ganhou e mesmo agora, já tendo passado um pouco da fase, muitas vezes abre ele para sentir as texturas e apontar para os animais. Preço: 5,79 libras (R$ 18,42).

Copos de empilhar

Nós compramos os copos de empilhar antes de a Sofia conseguir brincar com eles. Foi porque eles foram eleitos como o melhor tipo de brinquedo educativo num programa de televisão aqui na Inglaterra. É possível brincar com os copos de várias maneiras, em vários níveis, sem falar que dá para colocar água ou areia neles. Preço: 6 libras (R$ 19,08).

Tatame infantil

Existem vários tipos de tatames, com números, letras e figuras variadas. Os nossos já foram montados e desmontados diversas vezes, em diferentes cantos da casa. Brincamos com eles ou sobre eles. As peças são de espuma, fáceis de limpar. Preço: 9,98 libras (R$ 31,75).

Barraca de criança

Eu adorava a barraquinha que eu e a minha irmã tínhamos no nosso quarto quando crianças e com a Sofia não é diferente. Essa da foto é bem simples, leve e dobrável. Para que fique mais firme, montamos parte do tatame dentro dela. Preço: 10,49 libras (R$ 33,37).

Leia também: Produtos para bebês e crianças inéditos para mim até pouco tempo

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Dá para criar filhos livres de preconceitos?

Já faz um tempo que li o livro A Resposta (The Help), de Kathryn Stockett, e gostei muito. Já até saiu um filme baseado nele. A história se passa no Mississipi, Estados Unidos, nos anos 60, e mostra a relação entre empregadas domésticas negras e suas patroas brancas. O racismo é tema central.

Um dos trechos que me marcou é quando Aibileen, uma das empregadas, olha para Mae, uma menina branca que ela ajuda a criar, e lamenta pelo futuro da relação delas. É que, para Aibileen, embora as crianças adorem suas babás e não façam distinção de raça, elas acabam virando adultos racistas.

Os tempos são outros mas, infelizmente, junto com bons valores e grandes ensinamentos, muito racismo e preconceitos em geral ainda são passados de pai para filho. E será que é possível ser completamente imparcial? Quando nos tornamos pais, já contamos com uma vasta bagagem adquirida ao longo dos anos. Será dá para deixar essas experiências de lado e tentar ser completamente justo?

Eu tento não passar muitos julgamentos para a Sofia, mas acho que ela acaba absorvendo muita coisa que não é legal. E se não vem de mim, acaba vindo por outros meios – seja de outras pessoas, do ambiente, da mídia.

Acho importante que se prepare os filhos para o mundo real, para que eles consigam identificar possíveis perigos. Só não concordo com aqueles pais que orientam a criança a não falar com estranhos e ponto final. A Sofia ainda não anda sozinha na rua, o que torna as coisas mais fáceis nesse sentido, mas espero poder orientá-la para que ela consiga se cuidar sem que se torne antipática ou preconceituosa.

Lembro de uma vez ter ficado apreensiva quando ela cumprimentou um rapaz que vinha em nossa direção cabisbaixo, de capuz. Sabem o que ele fez? Disse “hi” pra ela. O mesmo aconteceu quando encontramos um homem tomando cerveja de manhã no parque, onde é proibido consumir álcool.

Já vi a Sofia receber sorriso desdentado de mendigo em Porto Alegre. Também já presenciei grande empatia com muçulmanas de véu e com indianos usando turbantes.

Agora, por que eu me impressiono quando uma criança interage essas pessoas? O simples fato de eu contar essas histórias já revela que, pra mim, elas fogem de alguns padrões. Não precisaria ser assim, né?

Retrospectiva

Pra entrar no clima de vale a pena ver de novo, aqui vão os posts mais lidos no Mãe a mil:

Mães que trabalham fora x mães em tempo integral

Muitas vezes eu sinto uma rivalidade entre as mães que trabalham fora e as que se dedicam aos filhos em tempo integral.

Aquelas que tem um emprego parecem sempre super ocupadas, cheias de grandes responsabilidades, sem falar que andam arrumadas. Ah, e elas deixam claro que acumulam funções: atuam como profissionais E como mães.

Há quem diga que aquelas que ficam em casa é que são as mães de verdade. Elas colocam os filhos em primeiro lugar, participam de tudo e o mais importante: vivem sem culpa. “Quem é que iria faltar a uma reunião na escola no meio da tarde?”, muitas vezes se perguntam.

Acho que já deu pra notar que eu tô exagerando, né? Mas tem um fundo de verdade, não tem? Como se não bastasse a pressão de ser mãe, esposa, profissional, filha, as mulheres acabam se sabotando. É uma pena.

Eu, em teoria, tenho o melhor dos dois lados. Trabalho fora três dias por semana (às vezes também faço freelance) e cuido da Sofia quatro dias. Na prática, já recebi críticas e comentários irônicos dos dois tipos de mães que mal descrevo acima. Portanto, não sou totalmente aceita em nenhum dos times.

Se eu for me importar, não vivo em paz. No momento essa é a situação ideal pra mim. E sei que mesmo se eu mudasse alguém iria questionar a minha decisão.

Não acho que tenha certo ou errado nessa questão, não concordo com essa disputa. Conheço mães que trabalham fora e que passam tempo de qualidade com os filhos. Também já vi muita mulher que é mãe em tempo integral que acompanha mesmo os filhos e e que curte o que faz de verdade.

Crianças bilíngues

É claro que criar filhos no exterior tem uma série de desvantagens, mas hoje vou escrever sobre uma das principais vantagens: a exposição a línguas.

Adoro ver os pequenos falando mais de um idioma. É impressionante a facilidade que eles têm de adquirir o sotaque local, de trocar de uma língua pra outra com a maior naturalidade.

Tem uma série de estudos sobre os benefícios que isso traz ao cérebro, alguns dizem que até previne o mal de Alzheimer. Mas não quero entrar nesse mérito hoje.

Aqui em Londres, como vocês sabem, há muitos imigrantes e várias crianças têm pais, muitas vezes babás, de países diferentes. Lembro de ver um menino de uns três anos na pracinha falando japonês com a mãe, espanhol com o pai e inglês com os amigos, numa boa.Nosso vizinho de quatro anos fala inglês e russo e, como outros bilíngues e poliglotas, é super aberto a outras línguas. Ele usa algumas palavras que os amiguinhos romenos ensinaram a ele e às vezes repete o que eu falo em português.

Por outro lado, já vi pais frustrados com o fato de o filho se recusar a falar a língua do país de origem da família. Também já conheci gente que adotou o inglês como idioma único.

A Inglaterra aceita o multiculturalismo e a orientação que o governo dá aos pais é que preservem sua língua materna. Nós falamos português em casa e usamos inglês na presença de pessoas que não entendem a língua.

Não queremos criar um geniozinho, mas procuramos expor a Sofia ao máximo à essa diversidade. Uma amiga nossa conversa em espanhol com ela e já vi pessoas de outras culturas se dirigindo à Sofia na língua deles. O engraçado é que ela presta atenção.

Se tá funcionando? Acho que é cedo pra tirar conclusões já que a Sofia tem pouco mais de dois anos. O que posso dizer é que ela fala as duas línguas e parece já ter entendido bem quando usar cada uma delas.

Acho que proporcionar à criança o contato com outras línguas não é privilégio de quem mora no exterior. Sempre dá pra criar oportunidades. Assistir a um desenho animado ou clipe de música infantil de outro país na internet, por exemplo, pode ser bem divertido.

Quase Natal

A Sofia andou meio gripada recentemente e agora eu e o Rodrigo é que não estamos muito bem. Acho que é a primeira vez que nós dois ficamos indispostos ao mesmo tempo. Não tem sido muito fácil, mas sei que logo vai passar.

Já que falta tão pouco pro Natal, aqui vai um trecho do clássico para crianças The snowman, ou O boneco de neve. O livro do autor inglês Raymond Briggs, publicado em 1978, originou um filme de animação em 1982.

Encantadora de bebês e outros livros para pais

Não entendo como o livro Encantadora de bebês resolve todos os seus problemas da Tracy Hogg  é tão badalado. Eu também entrei na onda e comprei um quando estava grávida.

Não achei nada demais. A autora descreve o método dela por páginas e páginas, tentando convencer os pais de que aquela é realmente a melhor maneira de agir, mas não chega nunca ao ponto.

Achei o texto vago e, como vários outros livros, não oferece alternativas caso a orientação não funcione. E naqueles primeiros meses com a Sofia o que eu queria eram respostas. Achei que a Tracy Hogg precisava ser mais objetiva. Aproveitei pouco do que ela tenta passar.

"Encantadora de bebês resolve todos os seus problemas" e "O que esperar dos primeiros anos"

Depois dessa experiência fui pro outro extremo. Tentei o Livro do bebê feliz da Gina Ford, famosa por esses lados.

Descobri essa autora porque sempre que eu falava que a Sofia dormia por volta das 19h as outras mães me perguntavam se eu seguia o método dela. Não, foi sem querer. Mas, voltando ao livro, me dei conta de que a Gina Ford é muito radical pra mim. Ela diz, por exemplo, que se deve tirar imediatamente a criança do banho caso ela não aceite ficar o tempo todo sentada na banheira.

Por alguns meses eu deixei os livros de lado. Li fóruns na internet, blogs e conversei muito com outras mulheres. Num dia de muitos questionamentos, decidi comprar um mais abrangente. Acabei optando por O que esperar dos primeiros anos da Heidi Murkoff, Arlene Eisenberg e Sandee Hathaway.

O livro cobre do primeiro ao terceiro ano. Adoro o formato de perguntas e respostas. Logo que comprei li bastante e aprendi muita coisa. Só que parei de novo. Não tenho tempo, paciência. Tá lá na prateleira. Volta e meia dou umas folheadas.

Continuo achando importante ter livros para consulta, mas me dei conta de uma coisa que toda mãe sabe – a gente aprende mesmo é na prática. Sem falar que é preciso adaptar as dicas dos autores às nossas realidades, adicionar uma  boa dose de jogo de cintura.

Crianças bilíngues

É claro que criar filhos no exterior tem uma série de desvantagens, mas hoje vou escrever sobre uma das principais vantagens: a exposição a línguas.

Adoro ver os pequenos falando mais de um idioma. É impressionante a facilidade que eles têm de adquirir o sotaque local, de trocar de uma língua pra outra com a maior naturalidade.

Tem uma série de estudos sobre os benefícios que isso traz ao cérebro, alguns dizem que até previne o mal de Alzheimer. Mas não quero entrar nesse mérito hoje.

Livros em inglês e português

Aqui em Londres, como vocês sabem, há muitos imigrantes e várias crianças têm pais, muitas vezes babás, de países diferentes. Lembro de ver um menino de uns três anos na pracinha falando japonês com a mãe, espanhol com o pai e inglês com os amigos, numa boa.

Nosso vizinho de quatro anos fala inglês e russo e, como outros bilíngues e poliglotas, é super aberto a outras línguas. Ele usa algumas palavras que os amiguinhos romenos ensinaram a ele e às vezes repete o que eu falo em português.

Por outro lado, já vi pais frustrados com o fato de o filho se recusar a falar a língua do país de origem da família. Também já conheci gente que adotou o inglês como idioma único.

A Inglaterra aceita o multiculturalismo e a orientação que o governo dá aos pais é que preservem sua língua materna. Nós falamos português em casa e usamos inglês na presença de pessoas que não entendem a língua.

Não queremos criar um geniozinho, mas procuramos expor a Sofia ao máximo à essa diversidade. Uma amiga nossa conversa em espanhol com ela e já vi pessoas de outras culturas se dirigindo à Sofia na língua deles. O engraçado é que ela presta atenção.

Se tá funcionando? Acho que é cedo pra tirar conclusões já que a Sofia tem pouco mais de dois anos. O que posso dizer é que ela fala as duas línguas e parece já ter entendido bem quando usar cada uma delas.

Acho que proporcionar à criança o contato com outras línguas não é privilégio de quem mora no exterior. Sempre dá pra criar oportunidades. Assistir a um desenho animado ou clipe de música infantil de outro país na internet, por exemplo, pode ser bem divertido.