A imaginação nas brincadeiras

Não precisa muita coisa para criar uma cobra e uma coruja

A imaginação tem sido um ingrediente importante nas brincadeiras da Sofia nos últimos tempos. É divertido observar as ideias que ela tem e entrar nas viagens dela.

Esses dias eu abri um iogurte e parte do rótulo ficou grudada no pote. Foi o suficiente pra ela enxergar a carinha de uma menina a partir das sementes de morango.

Depois que ela me mostrou os olhinhos e o nariz eu até consegui visualizar um rosto. Isso me remeteu às viagens de carro na minha infância, quando eu e a minha irmã ficávamos imaginando que os carros tinham rostos.

Tenho presenciado várias aventuras da Sofia, mesmo sem sair de casa. As brincadeiras estão ficando mais criativas, mais complexas.

O sofá da sala muitas vezes é um ônibus ou um trem. Qualquer pedaço de chão vira um vasto gramado ou um oceano num passe de mágica. E objetos, utensílios em geral, até mesmo dinheiro, surgem nas mãos dela sempre que ela imita o som de um clique. Já vi ela fazer o papel de mãe, de filha, de professora, de médica, de bombeira, sem falar dos animais que ela imita.

Tem um programa de televisão que às vezes assistimos chamado Show me show me que explora bastante a criatividade e o mundo do faz de conta. Foi de lá que copiamos a ideia de fazer os animais da foto.

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Fim das férias

Pela primeira vez na vida estou contente porque minhas férias acabaram. Volto a trabalhar hoje depois de 17 dias de folga.

Tá bom, vou trabalhar só dois em vez de três dias esta semana, o que não é nada mal. Vai ser bom almoçar fora com uma colega ou então tomar um chá sem ser interrompida.

Nossos planos de viagem para Natal e Ano Novo não vingaram principalmente porque ficamos todos bem gripados. Foi barra.

Passeamos menos do que eu gostaria, nossa rotina quase não mudou – conseguimos dormir no máximo até 9h da manhã.

O lado bom foi que pudemos passar bastante tempo juntos. E o fato de eu ter ficado com a Sofia em tempo integral durante esses dias me fez perceber bem o desenvolvimento dela.

Ela tem usado cada vez mais a imaginação. Passamos parte de uma tarde chuvosa fazendo de conta que nosso sofá era um barco e que estávamos cercadas de criaturas do oceano.

O nível de concentração dela está mais alto. Já conseguimos ficar sentadas com o mesmo livro por períodos mais longos.

Outra novidade é que ela anda se achando super espertinha. Com a maior cara de sapeca, ela olha pra uma banana, por exemplo, e diz que é uma cebola. Ela também se diverte trocando de propósito nomes de cores, de formas geométricas e de animais. Pelo menos não faltaram risadas nessas férias.

Quando tudo é uma aventura

Dia desses a Sofia gritou “iupi” quando ficou sabendo que iria sair com o pai pra comprar pão e leite. Estava ainda amanhecendo, fazia frio e acho que qualquer adulto daria tudo pra ficar em casa naquela hora. Mas pra ela o “passeio” era uma aventura.

Muitas vezes a minha filha melhorou meu humor por abrir um sorrisão de manhã cedo. É lindo de ver como os pequenos conseguem transformar pequenas coisas em motivo de alegria, né? Vocês lembram da história da caixa?

A Sofia fica faceira pelo simples fato de eu dizer que tenho uma surpresa pra ela. Às vezes é só uma fruta que ela gosta que achei no supermercado. Tudo é novidade.

A falta de noção precisa de tempo faz com que os pequenos vivam um dia de cada vez. Sempre que meus pais vêm nos visitar eu nunca aproveito direito o último dia porque sei que vou ficar triste com a despedida. Já a Sofia curte até o final. Ela dá tchau tranquilamente, sem pensar se vai demorar ou não pra eles se reencontrarem.

Pena que essa empolgação tende a ir embora com o passar dos anos. Mas precisa ser assim?

Cenoura no palito era considerada guloseima durante a Segunda Guerra Mundial

Achei essa foto no site da BBC ontem depois de escrever esse post. Ela foi tirada em 1941, tempos difíceis. Me encantei com expressão dessas crianças.

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Coisas simples da vida

A Sofia ganhou de presente de aniversário um patinete e um capacete. Sabe do que ela mais gostou? Da embalagem.

Muito mais que uma caixa

Ela já encheu e esvaziou a caixa ao lado muitas e muitas vezes. Já pediu pra nós amarrarmos um barbante em volta e fazer de presente, fez de conta que era um carro, uma casa, levou em viagens imaginárias de trem, de ônibus, e não sei mais o que.

Continuo achando (ou apostando) que o patinete foi boa compra. Ela já deu umas voltas, mas ainda não se sente totalmente segura, não descobriu o barato.

Enquanto isso, ela se diverte com aquilo que dá asas à imaginação. A caixa de papelão acaba sendo um brinquedo educativo, que pode ser montado, transformado, usado de várias maneiras diferentes. Estimula a criatividade.

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