Pêssegos achatados

Pêssegos Paraguai (flat peaches) estão em alta

O Brasil ganha disparado do Reino Unido em termos de qualidade e variedade de frutas, na minha opinião.

Com o tempo aprendi o que vale e o que não vale a pena comprar em Londres e hoje me atrevo a dizer que em alguns casos o que encontramos aqui é melhor do que eu costumava consumir em Porto Alegre.

Saturn Peaches, também conhecidos como Doughnut ou Flat Peaches (Pêssegos Paraguai, em português), estão entre os mais consumidos aqui em casa ultimamente. Eles são doces, suculentos e chamam a atenção da Sofia por causa do formato.

Morangos, framboesas, mirtilos (blueberries), cerejas, nectarinas, uvas e maçãs também fazem parte da minha lista de preferidos em solo britânico. Assim como a maioria dos produtos consumidos na Inglaterra, muitas das frutas e verduras são importadas.

É engraçado ver coisas comuns para nós, brasileiros, na seção das frutas exóticas. Um exemplo é o mamão, que eu já desisti de comprar. É geralmente vendido bem verde e pode custar até 2,00 libras (R$ 6,28) a unidade.

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Semelhanças e diferenças entre a primeira e a segunda gravidez

Muitas vezes me perguntam se a segunda gestação é muito diferente da primeira e se enjoei mais esperando menino ou menina. Bem, eu não tenho respostas definitivas nem quero servir de referência – até porque estamos falando de um tipo de experiência muito pessoal – mas achei que seria interessante reunir aqui as minhas impressões já que o assunto gera curiosidade:

Diferenças:

  • O tempo parece passar mais rápido. Já estou no sexto mês, com 26 semanas, pra ser mais precisa
  • Tô menos concentrada na gravidez do que da primeira vez. Às vezes esqueço em que semana estou
  • Tenho menos tempo para descansar
  • Levanto mais peso
  • Resisti alguns meses sem comer sushi na primeira gestação. Desta vez, liberei geral
  • Não pretendo fazer curso para pais e mães desta vez
  • A barriga de grávida começou a aparecer mais cedo
  • Tirei poucas fotos até agora
  • Comecei a sentir os movimentos do bebê antes
  • Não comprei roupas de gestante, mas tenho mais do que da primeira vez. Guardei peças antigas e ganhei várias da minha irmã
  • Estamos levando mais tempo para escolher o nome do nosso menino
  • Vamos comprar bem menos coisas para o enxoval
  • Idealizo menos o parto
  • Estou mais experiente, me sinto menos ansiosa e mais confiante

Semelhanças:

  • A barriga tem o mesmo formato do que de quando eu esperava a Sofia, contrariando o que dizem sobre as diferenças entre gestação de menino e de menina
  • Eu achava que a barriga estava crescendo mais rápido do que da primeira vez, mas na consulta da semana passada foi confirmado que as medidas estão dentro dos padrões
  • Tive a sorte de não ter enjoos em nenhuma das vezes
  • Me mantenho ativa. Só que agora me exercito com a Sofia em vez de ir na academia
  • Tive câimbras nas pernas algumas vezes
  • Tenho apenas uma vaga ideia de como será minha vida depois que o bebê nascer

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Dá para criar filhos livres de preconceitos?

Já faz um tempo que li o livro A Resposta (The Help), de Kathryn Stockett, e gostei muito. Já até saiu um filme baseado nele. A história se passa no Mississipi, Estados Unidos, nos anos 60, e mostra a relação entre empregadas domésticas negras e suas patroas brancas. O racismo é tema central.

Um dos trechos que me marcou é quando Aibileen, uma das empregadas, olha para Mae, uma menina branca que ela ajuda a criar, e lamenta pelo futuro da relação delas. É que, para Aibileen, embora as crianças adorem suas babás e não façam distinção de raça, elas acabam virando adultos racistas.

Os tempos são outros mas, infelizmente, junto com bons valores e grandes ensinamentos, muito racismo e preconceitos em geral ainda são passados de pai para filho. E será que é possível ser completamente imparcial? Quando nos tornamos pais, já contamos com uma vasta bagagem adquirida ao longo dos anos. Será dá para deixar essas experiências de lado e tentar ser completamente justo?

Eu tento não passar muitos julgamentos para a Sofia, mas acho que ela acaba absorvendo muita coisa que não é legal. E se não vem de mim, acaba vindo por outros meios – seja de outras pessoas, do ambiente, da mídia.

Acho importante que se prepare os filhos para o mundo real, para que eles consigam identificar possíveis perigos. Só não concordo com aqueles pais que orientam a criança a não falar com estranhos e ponto final. A Sofia ainda não anda sozinha na rua, o que torna as coisas mais fáceis nesse sentido, mas espero poder orientá-la para que ela consiga se cuidar sem que se torne antipática ou preconceituosa.

Lembro de uma vez ter ficado apreensiva quando ela cumprimentou um rapaz que vinha em nossa direção cabisbaixo, de capuz. Sabem o que ele fez? Disse “hi” pra ela. O mesmo aconteceu quando encontramos um homem tomando cerveja de manhã no parque, onde é proibido consumir álcool.

Já vi a Sofia receber sorriso desdentado de mendigo em Porto Alegre. Também já presenciei grande empatia com muçulmanas de véu e com indianos usando turbantes.

Agora, por que eu me impressiono quando uma criança interage essas pessoas? O simples fato de eu contar essas histórias já revela que, pra mim, elas fogem de alguns padrões. Não precisaria ser assim, né?

A barriga na segunda gravidez

Barriga de 19 semanas de gravidez

Vejo na prática o que li: minha barriga está crescendo mais rápido do que na primeira gravidez. Estou com 19 semanas, ou seja, quase no quinto mês, e dá pra notar bem que estou grávida.

Na gestação da Sofia, eu esperei ansiosamente pelo dia em as pessoas parassem de pensar que fosse só barriga de cerveja e viessem me parabenizar pela gravidez. Desta vez, a primeira vez que um estranho veio comentar comigo sobre o novo bebê foi na 14ª semana.

Tá certo que eu estava usando uma blusa justinha. E isso aconteceu no Brasil, onde as pessoas são mais diretas. Aqui na Inglaterra, ao ficar sabendo da novidade, alguns colegas de trabalho me disseram que estavam desconfiados mas que ficaram com receio de me perguntar.

Andei lendo que a partir da segunda gravidez a barriga tende a aparecer mais ou menos um mês antes. Acho que é isso mesmo.

O principal motivo, dizem os livros, é que o útero nunca volta ao tamanho que era antes da primeira gravidez. Também ouvi falar que os músculos e ligamentos já estão mais relaxados e que por isso a tendência é carregar o bebê em uma parte mais baixa do abdômen do que na primeira gravidez.

Outra coisa que lembro de ler ainda durante a primeira gravidez é que mulheres que já tiveram filhos geralmente sentem o bebê mexer mais ou menos um mês antes do que as outras. Eu não sei ao certo quando senti a Sofia chutar pela primeira vez, mas desta vez já senti o bebezinho. A gente já sabe como é a sensação. E é sempre emocionante.

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Escolhendo o nome do bebê

A neta de uma conhecida nossa que é indiana nasceu recentemente e quando eu perguntei qual seria o nome do bebê ela pareceu surpresa e me disse que ainda não estava decidido. Ela é hindu e me deu a mesma explicação que ouvi uma vez de uma menina do Sri Lanka que trabalhou comigo.

As duas me contaram que, dependendo da hora e do dia que a criança nasce, é escolhida uma letra do alfabeto sânscrito com o qual o nome deve começar. Eles acreditam que isso traz sorte.

Aqui no Reino Unido muita gente prefere não revelar o nome do filho antes do nascimento. Além de motivos religiosos, muitos defendem que é uma decisão pessoal, que assim se evita ficar ouvindo palpite alheio. Já conheci gente que acredita que dar nome antes de ter o bebê nos braços dá azar.

Quando eu estava grávida da Sofia reparei que muita gente ficava cheia de dedos pra me perguntar se eu sabia o sexo do bebê. Aqui não é raro achar casais que preferem esperar pela surpresa. Alguns descobrem o sexo mas não anunciam para os outros.

Ouvi muito falar que alguns hospitais britânicos não revelam o sexo do bebê durante a ecografia, mas tenho a impressão que isso é coisa do passado.

Ainda com relação aos nomes, é tradicional se dar um segundo nome à criança, como acontecia no Brasil antigamente. Quanto ao sobrenome, o mais comum é usar só o do pai. Também acontece de se usar os dois, da mãe e do pai, separados por hífen.

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