Campanha contra maquiagem para crianças

O grupo inglês Pinkstinks (rosa fede, ou rosa não tá com nada), que luta contra a ditadura do cor-de-rosa, está lançando uma campanha contra maquiagem para crianças. O objetivo é convencer as lojas a pararem de vender cosméticos destinados a meninas abaixo de oito anos.

A nova campanha busca aliviar as crianças da pressão de ter de melhorar a aparência física. Pesquisas mostram aumento no número de casos de jovens com baixa auto-estima e Pinkstinks acredita que a maquiagem contribua para isso já que pressiona as meninas a serem bonitas.

A campanha tem três objetivos:

  • Que as lojas tirem maquiagens das prateleiras com produtos para crianças em idade pré-escolar ou inferior.
  • Que outros produtos, como revistas e sapatos, parem de oferecer maquiagens como brinde.
  • Pinkstinks também espera conscientizar os pais a deixarem de aceitar e comprar este tipo de produto.

Pinkstinks foi criado há quatro anos para tentar conscientizar as pessoas de que é prejudicial estereotipar crianças. De acordo com o site deles, muitos produtos para meninas valorizam a beleza, a passividade, sem falar que estimulam a obsessão por compra, moda e maquiagens – uma definição bem limitada do que significa ser menina.

Desde cedo, as crianças são canalizadas a identificar-se com determinados brinquedos, jogos e outros produtos. Isso, segundo Pinkstinks, limita a gama de brincadeiras e experiências.

As responsáveis pelo grupo são as irmãs Emma e Abi Moore. A ideia de criar Pinkstinks começou numa visita a uma loja de brinquedos, quando Emma viu a filha dizer que os animais de uma fazendinha eram para os meninos, diz ela nesta matéria.

Eu concordo com o que Pinkstinks defende. Não sou contra esse mundo cor-de-rosa que inclui roupas, brinquedos e artigos para decoração, mas acho perigoso começar a estereotipar meninos e meninas mesmo antes de seu nascimento e limitar suas escolhas. Afinal de contas, há muitas opções de cores, de maneiras de se vestir, de brincar, enfim, de agir.

A divisão entre o rosa e o azul é bem forte aqui no Reino Unido, assim como em outras partes do mundo. Muitas vezes a Sofia foi confundida com menino por não estar usando “cores femininas”.

Quanto à maquiagem, nossa experiência é ainda limitada. Ela já me pediu pra passar batom ao me ver na frente do espelho mas se contentou em brincar com um protetor labial.

E vocês, o que acham dessa campanha? Estou curiosa pra saber das experiências de vocês.

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Vendo e revendo o primeiro filme

Agora posso dizer que entrei para o clube das mães que já assistiram ao mesmo filme várias vezes por causa dos filhos. Faz mais ou menos um mês que Rio está “em cartaz” na nossa casa.

O DVD nunca foi tão requisitado como nos últimos dias. É que a Sofia perdeu um pouco da disposição por causa de uma virose, tadinha.

Gostei do filme e da trilha sonora, embora as músicas fiquem na minha cabeça muito mais tempo do que eu gostaria.

A Sofia ganhou o DVD do filme de presente da tia Maria em fevereiro mas levou um tempinho para começar a apreciá-lo. Antes disso, ela costumava ver só programas infantis mais curtos e desenhos animados.

Assistir ao mesmo episódio várias vezes é que não é novidade. Começamos com trechos breves do Rio e agora, se deixássemos, ela provavelmente assistiria tudo de uma vez só.

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Dá para criar filhos livres de preconceitos?

Já faz um tempo que li o livro A Resposta (The Help), de Kathryn Stockett, e gostei muito. Já até saiu um filme baseado nele. A história se passa no Mississipi, Estados Unidos, nos anos 60, e mostra a relação entre empregadas domésticas negras e suas patroas brancas. O racismo é tema central.

Um dos trechos que me marcou é quando Aibileen, uma das empregadas, olha para Mae, uma menina branca que ela ajuda a criar, e lamenta pelo futuro da relação delas. É que, para Aibileen, embora as crianças adorem suas babás e não façam distinção de raça, elas acabam virando adultos racistas.

Os tempos são outros mas, infelizmente, junto com bons valores e grandes ensinamentos, muito racismo e preconceitos em geral ainda são passados de pai para filho. E será que é possível ser completamente imparcial? Quando nos tornamos pais, já contamos com uma vasta bagagem adquirida ao longo dos anos. Será dá para deixar essas experiências de lado e tentar ser completamente justo?

Eu tento não passar muitos julgamentos para a Sofia, mas acho que ela acaba absorvendo muita coisa que não é legal. E se não vem de mim, acaba vindo por outros meios – seja de outras pessoas, do ambiente, da mídia.

Acho importante que se prepare os filhos para o mundo real, para que eles consigam identificar possíveis perigos. Só não concordo com aqueles pais que orientam a criança a não falar com estranhos e ponto final. A Sofia ainda não anda sozinha na rua, o que torna as coisas mais fáceis nesse sentido, mas espero poder orientá-la para que ela consiga se cuidar sem que se torne antipática ou preconceituosa.

Lembro de uma vez ter ficado apreensiva quando ela cumprimentou um rapaz que vinha em nossa direção cabisbaixo, de capuz. Sabem o que ele fez? Disse “hi” pra ela. O mesmo aconteceu quando encontramos um homem tomando cerveja de manhã no parque, onde é proibido consumir álcool.

Já vi a Sofia receber sorriso desdentado de mendigo em Porto Alegre. Também já presenciei grande empatia com muçulmanas de véu e com indianos usando turbantes.

Agora, por que eu me impressiono quando uma criança interage essas pessoas? O simples fato de eu contar essas histórias já revela que, pra mim, elas fogem de alguns padrões. Não precisaria ser assim, né?

Toda mãe é superstar

Personagem de Sarah Jessica Parker tem uma filha de seis e um filho de dois anos

Um dos filmes que assisti no avião na ida ao Brasil foi Não sei como ela consegue (I don’t know how she does it), com Sarah Jessica Parker. Pra quem não sabe, ela interpreta Kate, uma mãe que se divide entre os filhos e o trabalho.

O filme mostra várias situações em que Kate se desdobra tentando conciliar a vida profissional e pessoal – aquele dilema que muitas mães conhecem. Enquanto a filha de seis anos culpa a mãe por viajar a trabalho, o filho de dois parece não se importar muito com as despedidas e quase sempre acha tudo que ela faz o máximo.

Não achei o filme grande coisa e eu não esperava muito mesmo. Mas Kate fala algo que ficou na minha cabeça. Ela diz que quando se tem um filho de dois anos a gente se sente uma superstar.

Eu não diria que me sinto uma estrela, mas acho que entendo bem o que ela quer dizer. A gente não apenas dá, mas também recebe muita atenção dos pequenos.

Não precisa ser artista pra arrancar risadas da Sofia. É aquela fase em que cada reencontro é celebrado com um saudoso abraço. Impossível não se sentir especial. É indiscutível que somos referência para nossos filhos, parte central da vida deles, nos primeiros meses, anos.

Quando estou cansada de ouvir a Sofia me chamando, às vezes eu lembro que uma vez me disseram que essa fase vai passar rápido e que quando ela entrar na adolescência provavelmente eu é que estarei tentando ganhar a atenção dela.

Vida social e filhos

Esse  foi um fim de semana diferente pra mim. Fui numa festa, passei horas sozinha em casa e saí pra jantar só com meu marido. Como? Minha sogra está nos visitando.

Janta no restaurante japonês

Como é bom poder ter uma conversa adulta sem interrupções ou então comer num restaurante sem pressa! Sem falar da certeza de que a Sofia está em boas mãos. Ela adora ficar com a avó. As duas se divertem muito, é lindo de ver.

Já perdi as contas de quantas vezes eu faltei a festas ou deixei de ir a pubs com meus colegas depois do trabalho porque não tenho com quem deixar minha filha. Nós levamos a Sofia sempre que dá, mas às vezes não funciona, não é ambiente pra criança. Acaba sendo um estresse pra todo mundo.

Essa é a realidade de quem mora longe da família. Sair sem filho exige que se planeje tudo com uma boa antecedência. A gente tem sempre que contar com uma babá (e pagar por isso) ou com a vontade de um amigo. Não é fácil.

O lado bom é que hoje em dia eu consigo me livrar facilmente daqueles eventos de trabalho chatos, fora do horário de expediente. Tenho sempre uma boa desculpa.

Também não tenho certeza de que me adaptaria ao outro extremo. Acho que não gostaria de ser parte daquelas famílias que moram super próximas e estão sempre se visitando. Não seria bom ter muita interferência na educação da minha filha.

Independente de onde se more, criar filho é uma grande responsabilidade, compromete a liberdade dos pais pelo menos por alguns anos. Sim, faz falta sair sem ter hora pra voltar e ainda poder dormir até tarde no dia seguinte. Mas não acho que isso sirva de desculpa pra anular uma vida social. Tem várias coisas pra se fazer com bebê ou criança em Londres, e isso vale pra qualquer parte do mundo. Só que precisamos adaptar nossas rotinas.

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Tecnologia para distrair crianças

Pais estão usando smartphones para acalmar os filhos, saiu essa semana no Washington Post.

Smartphone em mãos pequenas

Cerca de 40% das crianças entre dois e quatro anos e 10% daquelas abaixo dessa idade já usaram smartphone, tablet ou video iPod, segundo pesquisa feita nos Estados Unidos pelo grupo sem fins lucrativos Common Sense. Entre os pais e mães, um em cada cinco já usou algum desses aparelhos para manter os pequenos ocupados.

Sinceramente, eu esperava números mais altos. Conheço muita mãe com filho pequeno que já fez isso, seja durante uma viagem ou mesmo para responder um email importante. E me incluo nesse grupo.

A grande novidade pra mim é o tamanho desse mercado, maior do que eu imaginava. Já existem milhares de aplicativos que tem como público alvo bebês e crianças de até três anos – por exemplo, jogos interativos com nomes de partes do corpo e músicas infantis. Tem até um que simula o som do útero da mãe para ajudar o bebê a dormir.

O comércio da Inglaterra prevê que o tipo de brinquedo mais vendido neste Natal serão os tablets para crianças. O preço é salgado pro meu gosto – £79.99 (R$ 220).

Sim, é impossível evitar que as crianças tenham contato com novas tecnologias, e elas podem se beneficiar com isso. Só acho perigoso quando tal coisa é usada para substituir relações humanas e acabam isolando as pessoas. Pena que é cada vez mais comum ver nos restaurantes aqui crianças fechadas no mundinho delas enquanto adultos conversam entre eles.

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