De radar ligado

“Stop começa com a minha letra”, diz a Sofia

Letras e números têm chamado a atenção da Sofia. Quase sempre que ela se vê um “s” ou então um “2” ela menciona o nome ou a idade dela.

O mesmo acontece quando ela reconhece as iniciais de alguns familiares e amigos, seja em placas, rótulos, camisetas, folhetos, livros ou revistas.

No ônibus é infalível: antes de apertar o botão ela comenta sobre a “cobrinha” na palavra stop.

Na creche eles incluem letras e números nas atividades. E eu reparo que em casa a Sofia faz de conta que lê para os brinquedos.

Um dos vídeos que ela gosta de assistir no YouTube é este com o alfabeto em inglês:

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Por onde anda o urso da escolinha?

Vocês lembram do Travelling Ted, o urso de pelúcia da escolinha da Sofia que acompanha as crianças em viagens e passeios? Fiquei sabendo que ele acaba de ganhar passaporte, escova de dentes, roupinhas e diário, onde serão reunidos relatos de viagens, fotos e outras recordações dos lugares visitados.

Acho que esses novos elementos vão encorajar ainda mais as crianças a cuidarem do companheiro de viagem. Foi muito legal ver a Sofia mostrando pro ursinho as pessoas e os lugares novos quando estivemos no Brasil em fevereiro.

É temporada de férias aqui na Europa e o ursinho já tem viagem marcada para os Estados Unidos, Escócia e Índia. Vou ficar de olho no mural da escolinha para ver as fotos das aventuras dele.

Teddy pela primeira vez no Brasil

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Cozinhando com o pai

Adoro ver crianças cozinhando. Acho importante que elas entendam e participem do processo de preparação da comida, que conheçam os ingredientes e coloquem a mão na massa.

Só que se dependesse de mim acho que a Sofia teria uma experiência bem limitada na cozinha. O grande responsável por despertar a curiosidade e incentivar que ela ajude na elaboração dos pratos aqui em casa é o pai dela.

Ela se diverte ajudando o Rodrigo a cozinhar. E eu adoro o que eles fazem e não me importo nenhum pouco de lavar a louça e o que mais for preciso depois. Semana passada eles fizeram pastelões de carne. Ficou uma delícia!

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O primeiro contato com a música

É importante é manter o lado lúdico

Cada vez mais ouço falar dos benefícios da música e da importância de se colocar bebês e crianças em contato com a arte desde cedo. Mas acho que pouco se comenta sobre questões mais práticas, como quando e de que maneira os pais podem proporcionar isso aos filhos. Fiz essas e outras perguntas ao professor de música e compositor Rodrigo Lemos. Pra quem não sabe, ele é meu marido.

Qual é a idade ideal para colocarmos as crianças em contato com a música?

Nunca é cedo demais. Eu recomendo começar a exposição ainda durante a gestação. Pode parecer um exagero, mas o que quero dizer é que não se deve esperar. Por outro lado, também é verdade que nunca é tarde demais para começar. O contato com a música traz grandes benefícios, independente da etapa da vida que se esteja.

E de que maneira os pais podem proporcionar isso?

Escutando música, cantando sem ter vergonha. Os pais não precisam se preocupar em ouvir exclusivamente músicas infantis. É claro que essas têm um apelo forte e as crianças passam a gostar rapidamente, mas a exposição a todos os tipos de música é benéfica, independente do estilo.

Que dicas você daria aos pais que querem incentivar os filhos a tocarem instrumentos musicais?

Que tenham algum instrumento em casa e que deem exemplo. O exemplo é um bom professor. Aprender a tocar junto com a criança pode ser muito divertido e ajuda a fortalecer a relação entre pais e filhos. É claro que nem todo mundo pode ter um piano em casa, mas hoje em dia existem violões e teclados a preços acessíveis, por exemplo. Para quem não quiser gastar muito, o ideal é deixar para comprar algo de melhor qualidade quando a prática já estiver estabelecida. Infelizmente, a maioria dos instrumentos de brinquedo não produz som de qualidade para que se possa fazer música de verdade.

Qual é o melhor instrumento para se começar?

Qualquer um. Não existem instrumentos para iniciantes. Muitas vezes os pais dos meus alunos vêm me perguntar se a criança, que toca violão, está pronta para começar com a guitarra elétrica. Não precisa ser assim. Se o objetivo é tocar um determinado instrumento, pratique desde o início. É claro que existem restrições físicas – uma criança de três anos não vai conseguir tocar uma tuba, por exemplo – mas essa é a única restrição.

Quais outros conselhos você daria para os pais?

É preciso tomar cuidado pra não colocar pressão nas crianças, para não transferir nossos sonhos para nossos filhos. É muito legal proporcionar o aprendizado desde cedo, mas precisamos cuidar para não esperarmos apenas bons resultados. Trabalho com muitas crianças que sentem a pressão do investimento que os pais estão fazendo, e parte do meu trabalho é manter o lado lúdico sempre vivo. Tocar deve ser uma brincadeira, uma atividade prazeirosa.

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Mudando de nível na escolinha

Mais uma etapa na vida da Sofia está prestes a se concluir. A partir de segunda-feira, ela vai começar a frequentar a turma dos maiorzinhos na escolinha. São três níveis ao todo e ela vai passar do segundo para o terceiro.

Na semana que vem, ela ficará apenas algumas horas na nova turma e na seguinte já vai em definitivo. Ela vai reencontrar alguns coleguinhas que mudaram de nível recentemente, o que deve ajudar na adaptação.

A professora disse que a Sofia já está muito grande pra turminha atual. Ela brincou dizendo que ela tem sido a ajudante das professoras. Na verdade, nós também reparamos que agora, com pouco mais de dois anos e meio, a Sofia está entrando em outro estágio e que a mudança é de fato necessária.

Na nova turma eles desenvolvem atividades semelhantes às que a Sofia tem participado, num nível mais alto de aprendizado. Desde janeiro, quando ela começou a frequentar a creche, temos visto grandes avanços. Ela desenvolveu bastante a fala, a coordenação e o grau de concentração, por exemplo.

Não sei se é por causa da idade mais avançada, mas ela está aprendendo mais em comparação ao período em que ficava com a childminder. Acho que na escolinha eles têm mais estrutura, uma equipe maior, melhor qualificada, e acabam promovendo atividades mais variadas.

Apesar dos benefícios, nós ainda não pretendemos aumentar a carga horária. A Sofia vai apenas duas tardes por semana, o que nos permite passar bastante tempo com ela. Talvez seja por isso que ela encara as idas à escolinha como um passeio, algo divertido.

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Teddy, o urso da escolinha

Algumas pessoas me escreveram curiosas a respeito do Travelling Teddy Bear – o ursinho de pelúcia da creche da Sofia que levamos junto nas férias – e achei que seria uma boa ideia escrever um novo post sobre ele.

Vocês lembram que eu alertei a Sofia sobre o fato de precisarmos devolvê-lo? Então, na volta à creche ele passou a tarde na salinha da turma dela. No final do dia, ela queria que ele fosse junto conosco e começou a chorar ao perceber que isso não iria acontecer. Ela acabou se apegando a ele, é claro.

Fiquei morrendo de pena dela, mas deixamos ele lá. Ainda bem que ela se acalmou logo e entendeu que era tudo parte do exercício.

Cheguei a pensar em comprar um ursinho igual ao da escolinha, mas acabamos resolvendo a questão passando a chamar de Teddy um urso que já tínhamos em casa.

Nos primeiros dias, ela brincou bastante com o novo-velho Teddy.  Agora ele recebe a mesma atenção que os outros brinquedos.

Enviei à escolinha as fotos das nossas férias em que o Travelling Teddy Bear aparece e eles mostraram para as outras crianças em sala de aula. As imagens vão para um mural que fica num dos corredores da creche.

Já ouvi falar que crianças mais velhas também curtem essa atividade, que pode ganhar outros elementos. O ursinho – que inclusive pode ser uma boneca – pode ter uma mala ou mochila onde são colocadas roupinhas, escova de dentes ou até um passaporte de papel.

A atividade pode render mais se o personagem tiver um diário. Nele, os pais podem descrever as atividades das quais ele participou, como por exemplo uma visita a amigos ou parentes.

Além de fotos, dá pra anexar cartões postais e desenhos. Isso tudo rende uma discussão mais rica em sala de aula.

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Companheiro de viagem

O ursinho de pelúcia da foto é da escolinha da Sofia. O Travelling Teddy Bear acompanha as crianças em passeios e viagens. Na volta, fotos com ele são colocadas num mural com um mapa mundi onde são identificados os lugares por onde ele passou.

Teddy tinha recém voltado de Nova York quando levamos ele pra casa. Apesar de já ter percorrido praticamente todos os continentes, esta é a primeira vez que ele visita a América do Sul. O mais próximo que chegou foi o México.

A Sofia tá adorando o companheiro de viagem. Sempre que lembra, ela mostra as pessoas e os lugares novos pra ele.

É uma idéia simples, mas bem interessante. Não conversei muito com os funcionários da creche sobre o urso, mas já reparei que ele encoraja a criança a ter senso de responsabilidade. Já estou alertando a Sofia sobre o fato de termos que devolver ele na volta, ou seja, entra aí a questão de dividir, de se desprender das coisas.

Acho que o mais gostoso desse exercício é o fato de trazer um elemento da escolinha pro convívio familiar, ainda mais que estamos num país diferente. É um bom elo com a nossa vida em Londres. Na volta, vamos mostrar nossas fotos pro pessoal da creche e, claro, poder ver imagens de nossas férias cada vez que passarmos na frente do mural.

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Dando pequenas responsabilidades à criança

A Sofia agora anda às voltas com um banquinho. Ela usa ele pra alcançar a pia e os balcões da cozinha, assim ela e pode nos ajudar a cozinhar ou então a lavar a louça. Cada vez mais ela quer participar de tudo.

Nós jantamos sushi na semana passada e ela não quis ficar pra trás, pediu pra usar hashis. Mesmo não conseguindo manusear os palitinhos direito, ela achou a maneira dela e manteve a pose. Difícil não achar graça.

Esses dias o Rodrigo subiu na cadeira pra fazer um pequeno conserto no teto e, claro, ela quis subir junto pra ajudar. Sempre que dá, pedimos pra ela tirar os sapatos sozinha, levar o copinho dela até a mesa ou colocar uma peça de roupa suja na máquina de lavar. Às vezes funciona bem, às vezes não.

Nem sempre conseguimos permitir que ela participe, mas estamos tentando incentivar ela a nos ajudar, a aprender. Acho importante começar a dar pequenas responsabilidades, aos poucos, e fazer com que ela se sinta incluída nas atividades cotidianas.

É verdade que quase sempre a gente acaba levando muito mais tempo executando as tarefas quando ela participa. Às vezes não tem como fazer a quatro mãos, precisa ser feito rápido ou então falta paciência mesmo. Mas não é justo simplesmente ignorar a iniciativa dela, né?

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Será o fim da escrita à mão?

Saiu hoje no jornal Metro uma matéria questionando se no futuro as crianças saberão escrever à mão.

O texto cita duas escolas que já adotaram tablets em sala de aula aqui no Reino Unido. A mudança tornou o aprendizado mais interativo e democrático, de acordo com funcionários desses colégios. Os alunos poderão fazer provas nos próprios iPads em breve.

Para a diretora de uma escola de grafologia aqui em Londres, no entanto, a iniciativa não tem sentido. Ela teme que as pessoas não consigam mais escrever daqui a alguns anos e acredita que investimento deveria ser feito é nos professores.

Cada vez mais vamos nos questionar sobre o papel das diferentes tecnologias nas nossas vidas, não é mesmo? Vocês lembram do post sobre os smartphones? Não tem como frear isso, não adianta.

Assim como todos aqueles que tem computadores e celulares, eu uso cada vez menos a caneta. Mesmo assim, continuo achando importante poder escrever à mão com destreza. Quantas vezes meus garranchos me ajudaram a reproduzir o que o entrevistado me disse! Não é sempre que temos tecnologias a disposição, sem falar que a escrita representa nossa personalidade, dizem os grafólogos.

Por outro lado, é um alívio saber que a Sofia não vai precisar ter um caderno de caligrafia nem vai passar horas copiando a matéria que o professor escreve no quadro negro. Que perda de tempo! Sim, as tecnologias podem contribuir muito pro aprendizado, mas concordo com diretora da escola de grafologia que diz que é importante investir nos professores em primeiro lugar.

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