Meninas e meninos insatisfeitos com a aparência

Cerca de um terço das meninas de 10 anos estão preocupadas com a forma

Cada vez mais se discute como crianças e adolescentes assimilam imagens de modelos magérrimas e celebridades com cabelo e pele impecáveis, geralmente retocadas no photoshop.

É comum ver na mídia aqui no Reino Unido casos de meninas e meninos insatisfeitos com a aparência, se achando gordos mesmo não estando acima do peso.

Aos 10 anos, cerca de um terço das meninas e 22% dos meninos apontam o corpo como seu principal motivo de preocupação. É também aos 10 anos, em média, que as crianças começam a fazer dieta, diz essa matéria do Guardian.

O texto relata a iniciativa de dois ex-professores que começaram um curso para crianças do ensino primário melhorarem a auto-estima. A ideia partiu de funcionários de uma escola em Bristol que recebiam ligações de pais contando que os filhos estavam preocupados com o que vestir em dias em que não precisavam usar uniforme.

Tudo indica que a auto-estima dos jovens nunca esteve tão baixa, diz Chris Calland, um dos ministrantes do curso. Isso pode levar a transtornos alimentares e ansiedades.

A matéria mostra relatos interessantes da turma que fez o curso: “Você sabia que algumas modelos usam 10 camadas de maquiagem, deixam o cabelo ondulado com um ventilador e que podem até mudar a aparência no computador para parecerem mais magras?”, diz Carys, aluna da escola.

Mais e mais jovens estão conscientes de que o que se vê na mídia nem sempre condiz com a realidade. Na semana passada, um grupo de adolescentes nos Estados Unidos protestou em frente ao escritório da editora da revista para adolescentes Seventeen. Eles pedem que pelo menos uma foto sem retoque seja publicada a cada edição.

“Eu quero ver garotas normais e que se pareçam comigo numa revista que deveria ser para mim”, disse Julia Bluhm, 14 anos, que liderou o protesto.

Leia também: Campanha contra maquiagem para crianças

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A primeira visita à casa da rainha

Eu não imaginava que uma ida ao Palácio de Buckingham renderia tanto assunto. Depois de visitar o ponto turístico pela primeira vez, a Sofia passou horas comentando sobre “a casa da rainha”.

Guarda real

Ela se impressionou com a grandiosidade do lugar e adorou ver os guardas reais trocando de posição e marchando. Com o rostinho entre as grades dos portões, ela nos perguntava se a rainha, se alguma princesa ou príncipe estariam por trás daquelas cortinas.

Aquela pompa toda lembra muito as histórias infantis. Acho impossível observar os guardas da rainha e não achar graça daquele teatro todo.

Enfim, o passeio aconteceu meio que por acidente – nós estávamos indo encontrar uns amigos lá perto – mas valeu a pena. Chegando em casa, aproveitamos pra mostrar pra Sofia algumas fotos da família real britânica e um vídeo da troca da guarda.

Ontem foi anunciado que a rainha Elizabeth II irá aparecer num dos episódios do desenho animado Peppa Pig (A Porquinha Peppa). A porquinha vai visitar o Palácio de Buckingham e as duas vão pular em poças de lama, atividade predileta da família da Peppa.

O programa, a ser exibido no mês que vem, busca envolver as crianças nas atividades do Jubileu de Diamante, que marca 60 anos da rainha no poder. Esta será a primeira vez que um personagem humano aparece na série de televisão.

Rainha e turma da Peppa Pig pulando numa poça de lama

Leia também: London Eye com crianças e A maior loja de brinquedos do mundo

Waybuloo e Tinga Tinga, desenhos animados da TV inglesa

Seguindo a linha do meu post anterior, aqui vão dois desenhos animados que passam no canal CBeebies que eu acho interessantes.

Waybuloo se passa no mundo de Nara, uma terra cheia de alegria e amizade. Os habitantes, chamados Piplings, praticam Yogo, uma forma suave de exercício semelhante ao yoga. É super zen.

Tinga Tinga Tales (Contos de Tinga Tinga) é uma séria produzida entre o Quênia e o Reino Unido. As histórias são baseada em contos populares africanos. Adoro a estética do desenho. Achei esta versão em português:

Pra quem se interessar, tem vários episódios das duas séries no YouTube.

Veja também: Peppa Pig: o desenho animado favorito e Vendo e revendo o primeiro filme

Fumar atrás da porta não protege as crianças, diz nova campanha

Fumar mesmo atrás de uma porta ou janela não protege as crianças dos efeitos nocivos do cigarro, mostra o chocante comercial anti-tabagista lançado pelo governo britânico hoje.

O fumo passivo aumenta os riscos de doenças pulmonares, miningite e morte infantil súbita, também conhecida como morte do berço.

Cerca de dois milhões de crianças no Reino Unido são expostas à fumaça de cigarro em casa, e muitas mais são expostas fora de casa, de acordo com pesquisa do Royal College of Physicians. Isso resulta em mais de 300.000 consultas médicas de crianças a cada ano e 9.500 visitas a hospitais, o que custa ao sistema de saúde público 23 milhões de libras (R$ 67,2 milhões) por ano.

Uma pesquisa feita pelo departamento de saúde inglês involvendo 1.000 jovens indicou que 82% deles queriam que seus pais parassem de fumar na frente deles em casa e 78% gostariam que não fumassem mais no carro, diz matéria da BBC.

Leia também: O que pode e o que não pode fazer durante a gravidez

Dia das Mães na Inglaterra

Domingo que vem, dia 18, é Dia das Mães aqui no Reino Unido – Mother’s Day em inglês. Já faz semanas que o comércio está fazendo forte campanha, como vocês podem imaginar. Um dos comerciais que eu gosto é este da rede inglesa Debenhams:

Veja também: Dia das Mães inglêsComercial dá o que falar

Mais trabalho e menos filhos

Taxa de natalidade caiu de 6,15 filhos por mulher em 1960 para 1,9 hoje

É interessante ver de fora o país onde eu nasci e cresci. Cada vez que volto ao Brasil, gosto de observar as mudanças, o estilo de vida das pessoas.

Já faz tempo que ser mãe deixou se ser a única prioridade entre a maioria das brasileiras. Conheço muitos casos de pessoas que preferem não ter filhos ou então planejam ter apenas um. Viva a diversidade!

Nessas últimas férias, vendo de perto um pouco da realidade brasileira, me lembrei muito de uma matéria do Washington Post sobre a queda da taxa de natalidade no Brasil. Aqui vai um resumo dos principais pontos, com tradução livre:

  • As taxas de natalidade caíram em muitas partes do mundo nas últimas décadas, mas algo particularmente notável aconteceu na América Latina, apesar de o aborto ser ilegal na região e da Igreja Católica se opor ao controle de natalidade.
  • A migração desenfreada para as cidades, o aumento da taxa de emprego entre as mulheres, melhores sistemas de saúde e os exemplos de famílias bem sucedidas e com poucos filhos retratadas em novelas têm contribuído para essa mudança demográfica que aconteceu muito rápido.
  • A taxa de natalidade no Brasil caiu de 6,15 filhos por mulher em 1960 para menos de 1,9 hoje. Na América Latina, o país só fica atrás de Cuba, que tem planejamento familiar bancado pelo governo e onde o aborto é legalizado. Os números referentes ao Brasil também são inferiores aos dos Estados Unidos, onde as mulheres têm em média 2 filhos.
  • A matéria cita vários casos de famílias que planejam não ter filhos ou então apenas um. Uma delas diz que tem como prioridade estudar e trabalhar. Outra conta que a presidente Dilma Rousseff, que tem apenas uma filha, serve de exemplo.
  • Um relatório do Center for Work-Life Policy, em Nova York, diz que 59% das brasileiras se consideram muito ambiciosas, percentagem maior do que nos Estados Unidos.

Leia também: Gravidez depois dos 30 ou 40 anos

Comercial dá o que falar

É impressionante como os comerciais de Natal sempre rendem assunto aqui no Reino Unido. Um dos mais esperados, da rede de lojas de departamento John Lewis, estreou ontem à noite e divide opiniões.

O vídeo apresenta um cover da música “Please, Please, Please let me get what I want” da banda inglesa The Smiths. Enquanto no Twitter muita gente admitiu ter se emocionado assistindo, uma legião de fãs reclamou porque o Morrissey, vocalista da banda que se dizia anti-capitalista nos anos 80, vendeu os direitos de seu trabalho.

O comercial quer passar a ideia de que dar presentes é tão bom quanto receber. Ele mostra um menino fazendo uma surpresa para os pais no dia de Natal. E o fato de se sugerir que crianças também precisem comprar presentes também desagradou algumas pessoas. Vejam por vocês mesmos:

Veja também: Comercial de Dia das Mães na Inglaterra

Cesárea liberada na saúde pública britânica

As grávidas no Reino Unido vão poder optar por cesariana pelo sistema de saúde público a partir deste mês. Atualmente a cirurgia só é feita em casos de emergência ou então quando a mãe ou o bebê apresentam algum problema de saúde.

A decisão tem grande impacto já que mais de 90% da população usa o sistema de saúde público. E o assunto é polêmico. Tem gente alertando que o número de cesarianas pode aumentar ainda mais por causa da mudança.

A taxa de cesáreas no Reino Unido é de cerca de 25%. O ideal, diz a Organização Mundial da Saúde, é 15%. O Brasil, como vocês sabem, tem o maior índice do mundo. Os dados UNICEF indicam 44% e se acredita que o percentual seja bem mais alto.

Apesar desses números, eu continuo achando importante que se permita que as pessoas façam suas escolhas. Só que elas precisam estar preparadas. Em termos simples, tem que ter mais informação e menos pressão.

Tem muita gente que subestima os riscos de uma cesariana e ignora os benefícios que o parto natural proporciona à mãe e ao bebê. Por outro lado, é triste ver mulheres se culpando por não ter tido um parto normal.

Vi recentemente o link pra um vídeo sobre o parto humanizado no blog Lascomadres. É o trailer do filme O Renascimento do Parto. Tem depoimentos ótimos, emocionantes. Acho que vale a pena considerar o que eles dizem.