De radar ligado

“Stop começa com a minha letra”, diz a Sofia

Letras e números têm chamado a atenção da Sofia. Quase sempre que ela se vê um “s” ou então um “2” ela menciona o nome ou a idade dela.

O mesmo acontece quando ela reconhece as iniciais de alguns familiares e amigos, seja em placas, rótulos, camisetas, folhetos, livros ou revistas.

No ônibus é infalível: antes de apertar o botão ela comenta sobre a “cobrinha” na palavra stop.

Na creche eles incluem letras e números nas atividades. E eu reparo que em casa a Sofia faz de conta que lê para os brinquedos.

Um dos vídeos que ela gosta de assistir no YouTube é este com o alfabeto em inglês:

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A imaginação nas brincadeiras

Não precisa muita coisa para criar uma cobra e uma coruja

A imaginação tem sido um ingrediente importante nas brincadeiras da Sofia nos últimos tempos. É divertido observar as ideias que ela tem e entrar nas viagens dela.

Esses dias eu abri um iogurte e parte do rótulo ficou grudada no pote. Foi o suficiente pra ela enxergar a carinha de uma menina a partir das sementes de morango.

Depois que ela me mostrou os olhinhos e o nariz eu até consegui visualizar um rosto. Isso me remeteu às viagens de carro na minha infância, quando eu e a minha irmã ficávamos imaginando que os carros tinham rostos.

Tenho presenciado várias aventuras da Sofia, mesmo sem sair de casa. As brincadeiras estão ficando mais criativas, mais complexas.

O sofá da sala muitas vezes é um ônibus ou um trem. Qualquer pedaço de chão vira um vasto gramado ou um oceano num passe de mágica. E objetos, utensílios em geral, até mesmo dinheiro, surgem nas mãos dela sempre que ela imita o som de um clique. Já vi ela fazer o papel de mãe, de filha, de professora, de médica, de bombeira, sem falar dos animais que ela imita.

Tem um programa de televisão que às vezes assistimos chamado Show me show me que explora bastante a criatividade e o mundo do faz de conta. Foi de lá que copiamos a ideia de fazer os animais da foto.

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“Mamãe tem um bebê na barriga”

Ao me ver na saída da escolinha essa semana, a Sofia apontou pra mim e disse: “this is my mummy! Tem um bebê na barriga dela!”

Ela tem nos dado cada vez mais demonstrações de que realmente entende o que está acontecendo e o que está por vir.

Contei pra Sofia que estava esperando um bebê logo depois de fazer o teste de gravidez. Lembro que nos abraçamos e ela ficou quietinha, apenas sorriu. Um tempo depois, quando falei de novo que estava grávida, ela me disse que também tinha um bebê na barriguinha dela.

Acabei achando que ela era muito pequena para entender o fato de que vai ter um irmãozinho, como contei aqui. Mas hoje vejo que amadurecemos a ideia e, sim, ela sabe bem o que se passa.

Crianças pequenas continuam chamando a atenção da Sofia e isso nos ajuda a incluir o bebezinho nas nossas conversas. Nós imaginamos como ele vai ser e o que vamos fazer juntos.

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Mudando de nível na escolinha

Mais uma etapa na vida da Sofia está prestes a se concluir. A partir de segunda-feira, ela vai começar a frequentar a turma dos maiorzinhos na escolinha. São três níveis ao todo e ela vai passar do segundo para o terceiro.

Na semana que vem, ela ficará apenas algumas horas na nova turma e na seguinte já vai em definitivo. Ela vai reencontrar alguns coleguinhas que mudaram de nível recentemente, o que deve ajudar na adaptação.

A professora disse que a Sofia já está muito grande pra turminha atual. Ela brincou dizendo que ela tem sido a ajudante das professoras. Na verdade, nós também reparamos que agora, com pouco mais de dois anos e meio, a Sofia está entrando em outro estágio e que a mudança é de fato necessária.

Na nova turma eles desenvolvem atividades semelhantes às que a Sofia tem participado, num nível mais alto de aprendizado. Desde janeiro, quando ela começou a frequentar a creche, temos visto grandes avanços. Ela desenvolveu bastante a fala, a coordenação e o grau de concentração, por exemplo.

Não sei se é por causa da idade mais avançada, mas ela está aprendendo mais em comparação ao período em que ficava com a childminder. Acho que na escolinha eles têm mais estrutura, uma equipe maior, melhor qualificada, e acabam promovendo atividades mais variadas.

Apesar dos benefícios, nós ainda não pretendemos aumentar a carga horária. A Sofia vai apenas duas tardes por semana, o que nos permite passar bastante tempo com ela. Talvez seja por isso que ela encara as idas à escolinha como um passeio, algo divertido.

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Vendo e revendo o primeiro filme

Agora posso dizer que entrei para o clube das mães que já assistiram ao mesmo filme várias vezes por causa dos filhos. Faz mais ou menos um mês que Rio está “em cartaz” na nossa casa.

O DVD nunca foi tão requisitado como nos últimos dias. É que a Sofia perdeu um pouco da disposição por causa de uma virose, tadinha.

Gostei do filme e da trilha sonora, embora as músicas fiquem na minha cabeça muito mais tempo do que eu gostaria.

A Sofia ganhou o DVD do filme de presente da tia Maria em fevereiro mas levou um tempinho para começar a apreciá-lo. Antes disso, ela costumava ver só programas infantis mais curtos e desenhos animados.

Assistir ao mesmo episódio várias vezes é que não é novidade. Começamos com trechos breves do Rio e agora, se deixássemos, ela provavelmente assistiria tudo de uma vez só.

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Técnica de distração

Sair de casa com pressa quando a Sofia está junto é difícil pra mim. Tento aprontar tudo com antecedência pra minimizar qualquer estresse, mas muitas vezes não funciona. Acho que acabo passando minha ansiedade pra ela.

Todo mundo sabe que sair de casa com criança é sempre mais demorado, mesmo quando tudo flui bem. Quando tem birra então, nem se fala.

Na casa onde moramos tem escadas e quando estou com pressa pego tudo que precisamos levar e já desço com a Sofia no colo pra evitar muitas voltas.

Nessa época do ano, chegando na porta de entrada, ainda tem toda a preparação pra sair no frio: casaco, luvas, cachecol e toca. Quando a Sofia sente que quero fazer tudo rápido ela geralmente não aceita bem toda essa operação.

Semana passada ela não queria colocar os sapatos e subiu as escadas de volta. Respirei fundo, acho que consegui me recompor, e fui encontrá-la com uma nova atitude – claro, por que não pensei nisso antes?

Falei pra ela que não tava certo ela fazer isso, que era importante ela colaborar para que conseguíssemos sair rápido, mas logo mudei de assunto. Conversamos sobre a boneca que estávamos levando pra passear, começamos a cantar e paramos de prestar atenção no que estávamos fazendo.

Essa não foi a primeira nem vai ser a última vez que opto pela distração em vez do confronto. Acho que a tática não vale para situações extremas, quando por exemplo a criança agride alguém, mas pode ser uma mão na roda para desafios rotineiros. Há quem diga que é tapar o sol com a peneira ou fugir dos problemas, mas em vez de ficar três mil vezes pedindo e explicando porque não dá para mexer em tal coisa, eu prefiro mudar de assunto.

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Dando pequenas responsabilidades à criança

A Sofia agora anda às voltas com um banquinho. Ela usa ele pra alcançar a pia e os balcões da cozinha, assim ela e pode nos ajudar a cozinhar ou então a lavar a louça. Cada vez mais ela quer participar de tudo.

Nós jantamos sushi na semana passada e ela não quis ficar pra trás, pediu pra usar hashis. Mesmo não conseguindo manusear os palitinhos direito, ela achou a maneira dela e manteve a pose. Difícil não achar graça.

Esses dias o Rodrigo subiu na cadeira pra fazer um pequeno conserto no teto e, claro, ela quis subir junto pra ajudar. Sempre que dá, pedimos pra ela tirar os sapatos sozinha, levar o copinho dela até a mesa ou colocar uma peça de roupa suja na máquina de lavar. Às vezes funciona bem, às vezes não.

Nem sempre conseguimos permitir que ela participe, mas estamos tentando incentivar ela a nos ajudar, a aprender. Acho importante começar a dar pequenas responsabilidades, aos poucos, e fazer com que ela se sinta incluída nas atividades cotidianas.

É verdade que quase sempre a gente acaba levando muito mais tempo executando as tarefas quando ela participa. Às vezes não tem como fazer a quatro mãos, precisa ser feito rápido ou então falta paciência mesmo. Mas não é justo simplesmente ignorar a iniciativa dela, né?

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Bebês entendem tom de voz mesmo não sabendo palavras

Uma nova pesquisa realizada por cientistas britânicos comprova o que nós pais já sabíamos: os bebês já entendem o que dizemos mesmo ainda não sabendo a língua.

Os pequenos compreendem o tom de voz da mãe, concluiu o estudo. Aqueles que participaram da pesquisa reagiram da mesma forma quando a mãe falou em inglês ou em grego, relata matéria do jornal Daily Telegraph. Eles observaram suas mães executando ações com brinquedos usando as palavras “opa” e “lá” nas duas línguas, mas sempre no mesmo tom de voz.

A pesquisa, conduzida pela Universidade de Cardiff, País de Gales, envolveu 84 bebês entre 14 e 18 meses de idade. Nenhum deles havia sido exposto à língua grega antes.

A coordenadora da pesquisa, Merideth Gattis, diz que nos primeiros meses os pais não precisam se preocupar tanto com o que dizem, mas sim prestar atenção no tom de voz.

Segundo ela, mesmo palavrões ou raiva poderiam ser disfarçados pelo tom de voz. Ah, ela também já deve ter visto casais se alfinetando na frente do filho como se estivessem se elogiando!

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Fase mais fácil

Eu e a Sofia saímos para almoçar fora sozinhas no sábado. Conversamos durante a refeição e trocamos sorrisos com aqueles que estavam nas mesas vizinhas. Claro, aconteceu tudo mais rápido do que num almoço em família, mas um ano atrás eu provavelmente não conseguiria comer tranquilamente nessa situação.

Muitas vezes invejei pais de crianças maiores sem pressa de pedir a conta. Acho que a nossa vez tá finalmente chegando.

Agora que a Sofia tem quase dois anos e três meses, muita coisa tá ficando mais fácil. Semana passada eu e o Rodrigo, meu marido, tomamos café num pub enquanto ela brincava perto da nossa mesa. Às vezes ela ia até a árvore de Natal ao lado da porta de entrada, interagia um pouco com as outras pessoas, e voltava sem que um de nós tivesse que ir buscá-la.

Tenho até receio de começar a comemorar, mas faz muito tempo que a Sofia não sai mais correndo desatinada dentro de uma loja, por exemplo. Já conseguimos caminhar médias distâncias em linha reta, sem grandes distrações. Outro dia entramos na fila do caixa do supermercado e ficamos o tempo todo de mãos dadas, sem crise.

Pra quem não tem filhos, esse post talvez não signifique nada, mas acho que quem já passou por isso sabe que é um grande marco.

Leia também: Dando pequenas responsabilidades à criança

Quando tudo é uma aventura

Dia desses a Sofia gritou “iupi” quando ficou sabendo que iria sair com o pai pra comprar pão e leite. Estava ainda amanhecendo, fazia frio e acho que qualquer adulto daria tudo pra ficar em casa naquela hora. Mas pra ela o “passeio” era uma aventura.

Muitas vezes a minha filha melhorou meu humor por abrir um sorrisão de manhã cedo. É lindo de ver como os pequenos conseguem transformar pequenas coisas em motivo de alegria, né? Vocês lembram da história da caixa?

A Sofia fica faceira pelo simples fato de eu dizer que tenho uma surpresa pra ela. Às vezes é só uma fruta que ela gosta que achei no supermercado. Tudo é novidade.

A falta de noção precisa de tempo faz com que os pequenos vivam um dia de cada vez. Sempre que meus pais vêm nos visitar eu nunca aproveito direito o último dia porque sei que vou ficar triste com a despedida. Já a Sofia curte até o final. Ela dá tchau tranquilamente, sem pensar se vai demorar ou não pra eles se reencontrarem.

Pena que essa empolgação tende a ir embora com o passar dos anos. Mas precisa ser assim?

Cenoura no palito era considerada guloseima durante a Segunda Guerra Mundial

Achei essa foto no site da BBC ontem depois de escrever esse post. Ela foi tirada em 1941, tempos difíceis. Me encantei com expressão dessas crianças.

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