Só fala em filhos!

Tá certo que aqui no blog eu praticamente só escrevo sobre maternidade, um dos meu assuntos preferidos, mas eu não sou sempre assim.

Antes de me tornar mãe, eu achava um saco aquelas pessoas que só falam nos filhos. Pior ainda quando eu era minoria num grupo de mães, aí sim parecia que eu nunca conseguiria desviar o assunto.

Quando converso com alguém que não tenha crianças em casa, eu tento evitar uma overdose de informações sobre gravidez, bebês e crianças. Nem sempre dá, afinal de contas isso tudo é motivo de muitas das minhas alegrias, preocupações e faz parte dos meus planos. Mas acho saudável mudar o foco. Não só pelos outros, mas por mim também.

Mesmo assim, acho inevitável o fato de a maternidade causar impacto em praticamente todas as esferas da vida, inclusive no que diz respeito a amizades. Eu já ouvi queixas sobre o excesso de assuntos relacionados a bebês e crianças tanto de quem tem como de quem não tem filhos.

Uma conhecida minha que tem uma menina ouviu de uma amiga que não tem filhos que a amizade delas não é mais a mesma. A reclamação é que nos últimos tempos tudo passou a girar em torno da criança e que elas não conseguem mais fazer as mesmas coisas.

Já uma amiga minha que não pretende ter filhos me contou esses dias que saiu decepcionada da casa de uma ex-colega de trabalho que tem dois filhos. É que durante toda a conversa a ex-colega não tirou os olhos dos filhos, que estavam brincando com o pai. O que parece ter deixado minha amiga mais chateada foi que os problemas dela foram subestimados, que a mãe das crianças parecia sempre sugerir que difícil mesmo é cuidar de duas crianças.

Acho que consigo entender os dois lados. É triste mesmo não poder mais contar com um amigo, perder a cumplicidade ou simplesmente não conseguir mais achar graça das mesmas coisas. Por outro lado, não tem como ignorar o fato de que a maternidade muda a gente, mesmo que a nossa essência continue a mesma. O que vocês acham?

Depois de escrever esse post eu achei um texto com conselhos para pais que usam redes sociais. Ele foi escrito por Andrea Bartz e Ehrlich Brenna, autoras do blog e livro Stuff hipsters hate, e saiu essa semana no site da CNN. São dicas em tom sarcástico, mas que retraram um pouco do que se passa no Facebook e Twitter. Fiz um resumo com tradução livre:

  • Sim, seu filho é o mais bonito do planeta, mas seus amigos não querem ler as atualizações sobre ele a cada hora.
  • Um estudo feito em 2010 concluiu que 92% das crianças americanas têm presença online aos dois anos de idade. Isso quer dizer que os pais têm a responsabilidade de retratar a vida dos filhos de maneira que não os envergonhem futuramente.
  • Escreva um blog sobre maternidade ou paternidade. É uma ótima maneira para contar a história completa da ida ao zoológico. Atualizações diárias desse tipo em redes sociais são um pouco demais, embora totalmente aceitáveis em posts.
  • Seja prudente ao mostrar a foto da ecografia do bebê. Sim, é um momento digno de comemoração, mas não use a imagem da eco como sua foto do perfil – é assustador ver que um feto lhe desejou feliz aniversário. O mesmo estudo de 2010 observou que um terço das crianças americanas estão na internet ainda antes de seu nascimento.
  • Não perca sua própria identidade nas redes sociais. Álbuns semanais repletos de fotos praticamente idênticas não são interessantes. Mantenha seus amigos informados sobre outras coisas que acontecem em sua vida.
  • Não compartilhe coisas repugnantes. Ninguém quer saber os detalhes de seu parto ou precisar imaginar coisas relacionada aos movimentos intestinais de seu filho. Se precisar de conselhos ou aprovação nessa área, fale com seus amigos pessoalmente.

Leia também: Vida social e filhos

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8 respostas em “Só fala em filhos!

  1. Oi Cecilia, lhe entendo completamente. Talvez eu seja ate pior do que você nesse aspecto. Eu so falo das crianças mesmo! È como se eu nao tivesse outro tema, como se a minha vida e os meus interesse fossem voltados so aos meus filhos. Aqui no trabalho eu sou a unica que tem filhos, as vezes percebo os olhares das meninas, quando elas percebem que eu nao paro de falar dos meus filhos! Mais eu vou falar de que e com quem? È isso mesmo, sou mae coruja mesmo. Te juro que espero que essa fase passe logo, mais comigo ja esta durando uns 5 anos :( . E olha que as crianças ainda estao pequenas. Coitados dos meus amigos de trabalho e dos meus amigos privados e familia tambem, nao vao escutar outro tema uns 5 anos a mais :) .
    beijo.
    Eu

  2. Sabe, que esse foi um dos motivos pelo qual criei o me blog, gosto muito de falar sobre os meus filhos, registrar, guardar, contar, porém acho que se só falar disse com as outras pessoas vou me tornar uma pessoa chata e massante, no blog divido com quem quer e não empurro o assunto filhos por goela a baixo, já na redes sociais, acho importante não ficar expondo diariamente a figura deles.
    Eu ainda tenho amigas que não tem filhos e falamos de outras coisas, livros , filmes, trabalho, da vida enfim, porque os filhos são a nossa vida, mais os outros não tem nada com isso né??
    Bjks

  3. Pingback: Vida social e filhos | Mãe a mil

  4. Eu ainda não tenho filhos e nem sei se quero ter. Mais realmente tem mães muito chatas. Mas tenho uma grande amiga q tem 2 filhos pequenos, uma excelente mãe, mas q não ficou neurótica, q tem vida social sim e conversa sobre tudo e não só dos filhos. Caso eu decida ter irei me espelhar nela.

  5. Quando os filhos são muito pequenos, ainda por cima para mães de primeira viagem, tudo é uma imensa novidade mesmo, é super difícil, uma grande responsabilidade, um amor imenso, enfim, é tudo compreensível, Mas, em alguns casos, ãté quando os filhos estão maiores, vejo que muitas mães perdem a vida própria e simplesmente vivem a vida dos filhos. Acho muito chato, perdem a noção, Algumas ficam neuróticas. Admiro as mães que são extremamente amorosas sem neura ou chatice.

  6. Eu tenho uma amiga, no caso minha melhor amiga, minha prima….Sempre nos demos muito bem, mas depois que ela teve bebê, ficou quase insuportável !!! Tbm sou mãe, mas nunca fico enchendo os ouvidos das pessoas falando sobre meu filho, só falo quando perguntam, se não perguntam, é pq não querem saber. Ela se tornou chata e os comentários são gerais: – Ela só fala da filha. – Nem convida ela, só sabe falar da filha.
    E ela não vira o disco nunca, é só isso o tempo todo, acho que precisa de tratamento urgente.
    Desisti de ter outro filho, pq morro de medo de ficar, chata e inconveniente como ela.

  7. Achei essa postagem muito interessante! Eu tenho até uma pseudo-teoria de que quando a mulher vira mãe, ela esquece de ser mulher. Parece que quando ela entra no modo maternidade nada mais importa ou é relevante, e o que é pior, os amigos e familiares tem que aguentar milhares de fotos e descrições incansáveis do primeiro fio de cabelo que caiu ao conteúdo da fralda. Eu sou casada, tenho 27 anos, não sou mãe e sinceramente não sei se penso em ser. Vejo muitas experiencias tristes e ,por que não dizer, vergonhosas de mulheres que perderam totalmente sua essência depois de ser mãe. O pior é que depois de, por opção própria, anular a própria vida pelos filhos, quando estes crescem elas esperam a mesma devoção cega, ou então agem como adolescentes com a desculpa de que “perderam” determinada época da vida quando tiveram filhos. Não estou dizendo que ter filhos é uma experiência ruim, apenas que ao meu ver, é preciso saber dosar o quanto de você é mãe, o quanto é esposa, o quanto é amiga, etc. Abraços!

  8. Todas as minhas amigas que me conhecem sabem que não tenho a menor afinidade com crianças nem nunca quis ser mãe e para mim, foi a melhor escolha, mas ainda assim, algumas que tem ou estão grávidas insistem em falar sobre estes assuntos de gravidez e filhos que pra mim são tão entediantes quanto esperar na recepção de um consultório dentário.
    Pior é que dá pra ver na minha cara, eu tento mudar de assunto mas tem gente que não percebe ou finge que não percebe.
    É uma pena porque acabei me afastando de algumas que era muito queridas, com as quais me diverti e ri muito um dia, mas que se tornaram pessoas muito, muito chatas.
    Espero que possamos retomar a amizade um dia, quando os filhos forem maiores, mas quando isso acontece, acho realmente melhor se afastar por um tempo e deixar que a pessoa tenha contato com pessoas que tenham filhos e mais afinidades com aquele momento.

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