As condições de trabalho na Inglaterra

Tentando conciliar maternidade e carreira

Recebi um comentário pelo Twitter sobre meu post de ontem que me fez pensar. Dizia: “já me cobrei muito pelo fato de trabalhar o dia todo. Procuro compensar sendo uma mãe presente e participativa.”

Simples, né? Confesso que continuo achando um pouco desafiador encontrar um equilíbrio perfeito entre a maternidade e a vida profissional, mas acredito que seja possível chegar lá e sem culpa.

Acho que apoio familiar, econômico e governamental influenciam essa questão, então hoje vou contar um pouco sobre como são as condições de trabalho na Inglaterra.

Aqui as mulheres podem tirar licença-maternidade de até um ano. As condições variam de acordo com o empregador e com o tempo de trabalho.

Por lei, se a mulher tiver começado na empresa antes de ter engravidado, ela recebe 90% do salário integral nas primeiras seis semanas de licença e uma ajuda do governo de £128,73 por semana nas próximas 33. O resto do período é sem remuneração. Muitas empresas, inclusive onde eu trabalho, concedem mais benefícios do que aqueles garantidos por lei. Eu fiquei um ano em licença.

Os pais e mães com filhos de até 17 anos têm direito a trabalhar em horários flexíveis. Embora o governo promova isso, não é compulsório. Se o empregador decidir que há motivo para que o funcionário não possa trabalhar menos horas ou então em horários alternativos, não rola.

Assim como no Brasil, não há grande oferta de empregos de meio período. E trabalhar em casa é uma conquista que poucos conseguem. Mesmo com pesquisas demonstrando que se rende mais sem as interrupções do escritório, muitas empresas ainda consideram matação.

Por causa desses dilemas e pelos altos preços das creches, muitas mulheres na Inglaterra decidem ficar em casa e receber auxílio do governo. Tem vários tipos de benefício, alguns são concedidos independentemente de renda, outros apenas para quem ganha pouco. Eles podem variar de acordo com a situação da família e do número de filhos.

Na minha opinião, pouco se fala sobre como as mulheres que se dedicam à maternidade em tempo integral retornam ao mercado de trabalho. Consegui achar uma matéria que li um tempo atrás que conta o caso de uma mulher de 50 anos, mãe de três filhas, que voltou a trabalhar depois de 10 anos. Ela levou cinco anos até achar um emprego parecido com aquele que ela havia deixado uma década atrás.

Quem volta ao mercado de trabalho depois de anos leva um tempo pra recuperar a auto-estima e pra se adaptar às mudanças, como o surgimento de novas tecnologias. Como diz o texto, é esperado que essas mães recomecem trabalhando menos horas, com salários mais baixos. No entanto, elas não estão mais satisfeitas com isso. Elas querem poder usar suas habilidades.

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5 respostas em “As condições de trabalho na Inglaterra

  1. Cecilia, eu optei pro ficar em casa por duas três razões, a primeira que aqui na Irlanda eu tinha trabalho e não profissão. Segundo, o custo do childcare seria quase tão alto quanto meu salário. Terceiro, quis muito ver meu filho crescer mais de perto.
    Acho que o mais importante é que a mãe não se sinta culpada e viva feliz com sua opção, seja ela qual for. Mãe feliz = filhos felizes.
    Beijos

  2. Aqui no Brasil tive (e estou tendo) auxílio do INSS. O valor já é uma vergonha, fora os juros que eles sugam e acaba virando quase nada. Mas o pior não é isso: é a falta de consideração que os funcionários tem com a população. Parece que estão fazendo um favor pra mim. Pra começar, não consigo resolver nada por telefone. Tenho que despencar até o centro da cidade e encarar aquela multidão para, às vezes, fazer uma simples pergunta (perdi as contas de quantas vezes tive que ir até lá). Nem vem ao caso relatar todos os percalços que continuo passando por conta disso.
    Posso ter sido uma azarada, que outras pessoas achem exagero da minha parte, que o sistema funciona… enfim, estou contando a minha história.
    Deixo claro que não estou subestimando de forma alguma o nosso país (acredito muito nele), mas estou decepcionada com o INSS.

    • Nivea,

      Concordo contigo: mãe feliz = filhos felizes.

      Cla,

      É lamentável essa situação! Haja energia pra sair de casa com bebê pequeno e enfrentar fila. Não é certo ter que ficar correndo atrás de uma coisa que é de direito. Espero que isso se resolva logo.

      Beijos pra vocês,
      Cecília

  3. Eu optei por voltar a trabalhar e isso me faz feliz. Fiquei um ano e meio sem trabalhar o q foi otimo e aproveitei muito minha filha. Mas cada pessoa se realiza de um jeito. Realmente voltar a trabalhar depois de muitos anos , deve ser como recomecar e muito dificil.

  4. Pingback: Mães sofrem de insônia por causa do trabalho | Mãe a mil

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